Nesta quinta-feira (18), os membros democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos apresentaram 68 novas imagens obtidas do acervo de Jeffrey Epstein, um dia antes do prazo para que o governo Trump divulgasse os documentos completos da investigação sobre o bilionário.
Entre as cinco imagens apresentadas – do total de 95 mil disponíveis – destaca-se uma jovem seminua com trechos do livro “Lolita”, de Vladimir Nabokov, escritos em diferentes partes de seu corpo. A obra aborda a obsessão de um homem por uma menina de 12 anos e os abusos que ela sofre.
Várias das fotografias mostram Epstein ao lado de mulheres ou apresentam documentos de viagem de vários países, incluindo Rússia, Marrocos, Itália e República Tcheca. Embora os dados dos passaportes tenham sido ocultados, todos pertencem a mulheres que, segundo os democratas, eram aquelas com quem Epstein e seus associados mantinham relações sexuais.
Uma das imagens também inclui um print de uma suposta conversa em que se discutia a contratação de jovens por US$ 1 mil, incluindo uma russa de 18 anos. É importante lembrar que Epstein foi acusado em 2019 de tráfico sexual internacional de menores, sob a alegação de que ele liderava uma rede que atraía meninas para exploração e abuso sexual.
“O objetivo da divulgação dessas fotos é proporcionar ao público uma visão transparente de uma amostra representativa do material recebido do espólio, oferecendo insights sobre a rede de Epstein e suas atividades profundamente perturbadoras”, afirma o comunicado do comitê.
Na semana passada, Trump apareceu em novas imagens do acervo de Epstein, divulgadas em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (12). O ex-presidente dos Estados Unidos aparece em três das 19 fotos liberadas, sendo uma delas em companhia de várias mulheres cujos rostos foram censurados. Apesar de sua amizade com Epstein, que foi condenado por exploração sexual, Trump alegou que o relacionamento se deteriorou em 2004, anos antes da primeira prisão do bilionário, e sempre negou qualquer irregularidade.
As fotos também incluem outras figuras proeminentes, como o ex-presidente Bill Clinton, Steve Bannon, antigo aliado de Trump, Larry Summers, ex-secretário do Tesouro de Clinton, o empresário Bill Gates, o diretor Woody Allen e Andrew Mountbatten-Windsor, que perdeu seu título de príncipe devido à sua associação com Epstein.
Em um comunicado associado às imagens, o deputado Robert Garcia, democrata da Califórnia e membro sênior da comissão, afirmou que “mais de 95.000 fotos” recebidas do espólio de Epstein estão sob análise e que mais imagens serão divulgadas “nos próximos dias e semanas”. Ele acrescentou: “É hora de acabar com o acobertamento da Casa Branca e fazer justiça às vítimas de Jeffrey Epstein e seus poderosos associados. Estas fotos perturbadoras levantam ainda mais questionamentos sobre Epstein e suas relações com alguns dos homens mais influentes do mundo. Não descansaremos até que o povo americano conheça a verdade. O Departamento de Justiça deve liberar todos os documentos.”
Embora as declarações sejam contundentes, as fotos não mostram qualquer atividade ilegal por parte dos indivíduos retratados. O Departamento de Justiça dos EUA tem até o dia 19 de dezembro para divulgar todos os arquivos da investigação contra Epstein, após a sanção de uma lei aprovada pelo Congresso.
Imagens da ilha
Na quarta-feira (3), deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos divulgaram novas imagens da ilha do empresário Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. As fotos, que mostram ambientes luxuosos, fazem parte dos arquivos da investigação do caso Epstein, cuja divulgação foi autorizada pelo Congresso norte-americano e sancionada pelo governo de Donald Trump em novembro.
As imagens retratam a residência localizada na ilha de Little Saint James, parte das Ilhas Virgens dos Estados Unidos, um território americano no Caribe. Epstein adquiriu a ilha em 1998 e, conforme as investigações, era lá que parte de seus crimes sexuais ocorria.
Entre as imagens, há também uma foto de um telefone da residência com uma lista de contatos contendo nomes como Darren, Rich, Mike e Patrick, embora não haja informações sobre a identificação desses indivíduos.