O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido, a realizar uma entrevista na manhã de sexta-feira (18) para o portal Metrópoles. A permissão foi concedida após um pedido da defesa de Bolsonaro, sendo Moraes o relator dos processos que envolvem o ex-presidente.
A entrevista está programada para ocorrer entre 11h e meio-dia e marcará a primeira declaração pública de Bolsonaro desde sua prisão. Este será também o primeiro momento em que ele se pronunciará após ter indicado seu filho, Flávio Bolsonaro, como um possível candidato à presidência nas próximas eleições.
Além disso, Moraes permitiu que a ex-primeira-dama, Michele Bolsonaro, pudesse visitá-lo regularmente às terças e quintas-feiras, das 9h às 11h, com duração de até 30 minutos, assim como a realização de sessões de fisioterapia durante o horário de sol, conforme a orientação médica. Anteriormente, Michele precisava protocolar um pedido semanal para que as visitas fossem autorizadas, mas agora essa exigência foi eliminada. O ministro também autorizou que Bolsonaro receba cartas e pacotes enquanto estiver preso.
Interrogatório
Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) para interrogar Jair Bolsonaro sobre o conteúdo de dois cofres descobertos no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente. O interrogatório está agendado para o dia 30 de dezembro, entre 9h e 11h, na Superintendência da PF em Brasília, onde Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de detenção, imposta pelo STF devido a uma tentativa de golpe.
A PF informou que os cofres foram abertos em junho deste ano, dois anos e meio após a saída de Bolsonaro do Alvorada, e que continham “documentos pessoais” do ex-presidente, além de “outros bens”. A corporação busca esclarecer a “propriedade e origem desses itens” com o depoimento do ex-presidente. O ofício enviado a Moraes destaca a necessidade de ouvir Bolsonaro devido à descoberta dos documentos pessoais e outros bens guardados. A PF também mencionou que foi acionada pela Presidência para investigar a situação, mas não detalhou quando isso ocorreu.