Nicolás Maduro, o líder da Venezuela, confirmou que continuará a exportar petróleo, mesmo diante das advertências emitidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Um dia após essa declaração, um satélite monitorou a movimentação de embarcações na costa venezuelana. Fontes em Caracas informaram ao jornal “The New York Times” que a Marinha venezuelana acompanhou os petroleiros para assegurar sua segurança. A maneira como os EUA planejam restringir a entrada e saída dos navios sancionados ainda é incerta. Contudo, Trump afirmou nesta quarta-feira (17) que não permitirá que ninguém contorne o bloqueio.
Na semana anterior, forças armadas americanas interceptaram um petroleiro, e a pressão militar, que começou em agosto, evoluiu para uma pressão econômica. A indústria petrolífera da Venezuela tem enfrentado declínios desde 2017, quando as primeiras sanções americanas foram implementadas. O país se isolou dos mercados internacionais e começou a vender petróleo no mercado paralelo, utilizando embarcações sancionadas. Atualmente, cerca de 80% do petróleo venezuelano é comercializado dessa maneira. Os Estados Unidos acusam a Venezuela de utilizar os recursos financeiros obtidos para financiar atividades de narcotráfico.
Em um post na terça-feira (16), Trump também levantou acusações de que a Venezuela estaria explorando campos de petróleo “roubados” dos EUA, embora não esteja claro se se referia à nacionalização da indústria durante o governo de Hugo Chávez, que resultou em perdas bilionárias para empresas americanas no país.
Trump classificou o governo venezuelano como uma organização terrorista, uma designação sem precedentes, que não foi aplicada nem mesmo a regimes como os do Irã ou da Coreia do Norte. Em resposta, o ministro da Defesa da Venezuela comentou que Trump está em um estado de delírio. O secretário-geral da ONU, António Guterres, teve uma conversa telefônica com Maduro, ressaltando a importância de reduzir as tensões para manter a estabilidade na região.
A Rússia alertou que as tensões podem gerar consequências imprevisíveis, enquanto a China se opôs ao que chamou de bullying unilateral. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reiterou que seu país sempre se posicionará contra qualquer forma de intervenção.