Nos últimos dias, uma série de atrasos e cancelamentos afetou os principais aeroportos do Brasil, com mais de 400 voos prejudicados em São Paulo devido a ventos fortes de até 80 km/h e ajustes na malha aérea. Essa situação reacendeu a preocupação das empresas sobre a segurança e a previsibilidade nas viagens de negócios. O ocorrido expôs fragilidades em operações que dependem de deslocamentos frequentes, demonstrando que, em cenários adversos, a gestão de riscos se torna uma necessidade fundamental de governança, em vez de apenas um diferencial.
Profissionais especializados em gestão de viagens corporativas alertam que a imprevisibilidade, tanto climática quanto operacional, tende a aumentar. Cancelamentos, reacomodações lentas, períodos de viagem prolongados e perda de conexões podem prejudicar agendas estratégicas e afetar diretamente o bem-estar físico e emocional dos colaboradores em deslocamento, especialmente quando há falhas na comunicação entre fornecedores, empresas e viajantes.
Dalva Camargo, Diretora de Operações da Voetur Viagens, destaca a importância de ter estruturas organizacionais bem definidas para lidar com essas situações. “As empresas devem reconhecer que crises nos aeroportos não são exceções, mas sim parte do ambiente operacional. Diante disso, somente políticas de viagem claras, ferramentas de monitoramento e protocolos de resposta rápida asseguram a continuidade das operações e a segurança dos viajantes”, afirma.
Além das questões logísticas, a crise recente também trouxe à tona uma preocupação significativa: o manejo de dados pessoais em situações de remarcação ou atendimento emergencial. Informações como documentos, contatos, itinerários e dados corporativos circulam entre diversos agentes, aumentando o risco de uso indevido ou falhas de segurança. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige que as empresas mantenham controle e rastreabilidade sobre o tratamento dessas informações, mesmo quando terceiros estão envolvidos.
Renato Salles, DPO do Grupo Voetur, afirma que a conformidade com a LGPD deve ser parte integrante da rotina das viagens de negócios. “A proteção dos dados dos viajantes deve ser uma prioridade estratégica. Em crises, a circulação de informações pessoais tende a aumentar, e é nesses momentos que os controles de segurança e governança se tornam cruciais”, explica.
Ele ressalta que a conformidade não se restringe a políticas internas. “É fundamental que toda a cadeia envolvida — companhias aéreas, hotéis, TMCs e fornecedores internacionais — opere com padrões de privacidade e compliance compatíveis. A responsabilidade pela proteção dos dados do colaborador persiste durante todo o ciclo da viagem”, enfatiza.
A Voetur Viagens, em análises recentes, aponta que práticas como o mapeamento de riscos regulatórios, a presença de um DPO ativo, auditorias periódicas, uma matriz de riscos integrada ao programa de viagens e protocolos de gestão de crises são essenciais para organizações que dependem de deslocamentos frequentes. Tecnologias de análise preditiva e monitoramento em tempo real também aprimoram a capacidade de resposta das empresas.
Dalva Camargo sublinha que a evolução do setor demanda uma mudança de mentalidade. “Quando uma organização reconhece a viagem como parte de sua estratégia de negócios, a gestão de riscos passa de reativa a preventiva, mensurável e alinhada aos princípios da LGPD. Essa abordagem reduz custos, protege o viajante e fortalece a tomada de decisões”, conclui.
Especialistas enfatizam que a mitigação de riscos depende mais da sinergia entre políticas internas, tecnologia, fornecedores qualificados e compliance regulatório do que de ações isoladas. A recente crise nos aeroportos reafirma que a capacidade de resposta das empresas a imprevistos é um elemento crucial para garantir a segurança dos colaboradores e a continuidade das operações.