A administração de Balneário Camboriú, situada no litoral de Santa Catarina, anunciou a proibição do nudismo e atividades correlatas nas praias da cidade, incluindo a Praia do Pinho, que foi a primeira do Brasil a adotar essa prática. A proposta de decreto foi apresentada às associações de moradores das áreas costeiras e às forças de segurança na quarta-feira, dia 17.
Segundo a prefeitura, a demanda por essa mudança já é antiga e responde a solicitações da comunidade local e das autoridades de segurança. De acordo com o governo municipal, ao longo dos anos, a praia perdeu o “verdadeiro significado do naturismo” e passou a ser alvo de atividades ilícitas e crimes sexuais, o que afeta negativamente as praias adjacentes.
“Essa decisão é fruto de diálogo e escuta. Conversamos com as forças de segurança, os moradores e aqueles que vivenciam a realidade dessas praias diariamente. O que estamos propondo vai além de uma alteração legal; é uma ação necessária para assegurar a segurança, a ordem e o respeito aos residentes, visitantes e ao meio ambiente”, declarou a prefeita Juliana Pavan (PSD).
A questão da proibição do naturismo já havia sido debatida em uma audiência pública em 2022, quando o vereador Anderson Santos (PL) apresentou um projeto de lei visando acabar com essa prática na Praia do Pinho, que começou a ser frequentada por naturistas na década de 1980. A praia possui aproximadamente 500 metros de extensão e é famosa por suas águas calmas e pela preservação da Mata Atlântica ao redor.
Em comunicado, Paula Silveira, presidente da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), expressou a insatisfação da entidade com o fim da Praia do Pinho como local naturista. “Naturismo não é crime. A criminalidade deve ser combatida com fiscalização e ações individuais, e não com a eliminação de uma prática naturista legítima e histórica”, afirmou.
A nota também menciona que a falta de ação do poder público foi utilizada como justificativa para o fechamento dessa área histórica, atendendo, na prática, a interesses imobiliários em detrimento da segurança da população. Para a FBrN, a administração municipal está suprimindo um “direito cultural” ao invés de enfrentar a criminalidade.
“Não se trata apenas de moralismo: Balneário Camboriú está ultrapassando os limites da especulação imobiliária, destruindo sua história em prol da degradação ambiental, almejando se tornar a ‘Dubai brasileira’, o metro quadrado mais caro do Brasil”, concluiu a presidente.