A Agrogalaxy, empresa distribuidora de insumos que se encontra em processo de recuperação judicial, decidiu aprovar a emissão de debêntures no valor de R$ 213,2 milhões como parte de sua estratégia para reestruturar suas obrigações financeiras. De acordo com um comunicado relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), essa operação visa o pagamento de fornecedores e não implica na injeção de novos capital no caixa da companhia.
A deliberação foi feita pelo Conselho de Administração, que contou com a aprovação unânime dos cinco membros presentes, incluindo o presidente do conselho, Sebastian Marcos Popik, e o CEO, Eron Martins. Na prática, essa operação consiste na troca de dívidas existentes por novos instrumentos financeiros de longo prazo. As debêntures têm data de vencimento marcada para 30 de junho de 2035, com correção pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), sem incidência de juros reais, e um período de carência até 31 de dezembro de 2027.
Após esse intervalo, a atualização monetária será realizada semestralmente, nos meses de junho e dezembro, enquanto o pagamento do principal será feito em 16 parcelas. Os títulos emitidos serão quirografários, ou seja, não contarão com garantias reais, e serão integralizados por meio da cessão de créditos junto aos fornecedores da Agrogalaxy, ao invés de pagamentos em dinheiro.
Essa estrutura também permite a inclusão de credores financeiros que operam com fluxo de grãos, além de credores controladores, conforme estipulado na escritura de emissão. O Banco Santander atuará como coordenador da distribuição, enquanto a Vórtx exercerá a função de agente fiduciário.
Essa emissão faz parte do plano de recuperação judicial que foi aprovado por 82,4% dos credores em 2024 e homologado pela Justiça em 30 de maio de 2025. O plano prevê a reestruturação de cerca de R$ 4,6 bilhões em dívidas, com um período de carência que varia de dois a três anos e um prazo de amortização que pode se estender por até 16 anos.
No terceiro trimestre de 2025, a Agrogalaxy registrou uma receita líquida de R$ 417,9 milhões, refletindo uma queda de 65,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O prejuízo líquido ajustado alcançou R$ 611,8 milhões, representando uma diminuição de 61,2% comparado ao terceiro trimestre de 2024.