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A crise de saúde em Cuba e a proliferação de doenças transmitidas por mosquitos: ‘A cidade parece um cenário de zumbis’

1 de 6 Pilar, de 81 anos, em recuperação do vírus chikungunya em sua casa, em Havana, em novembro — Foto: Getty Images/BBC

Atualmente, os habitantes de Cuba enfrentam uma situação alarmante, marcada pela escassez de alimentos, medicamentos e eletricidade, sendo o “vírus” a principal preocupação. Os sintomas mais comuns incluem febre alta, erupções cutâneas, vômitos, diarreia e dores nas articulações, enquanto aqueles que já contraíram a doença lidam com sequelas de diferentes graus. Aqueles que ainda estão saudáveis vivem sob a constante ameaça de adoecer a qualquer momento.

O “vírus” mencionado pelos cubanos refere-se, na verdade, à disseminação simultânea de três arboviroses — dengue, chikungunya e oropouche —, conforme relatado pelo governo cubano e pela Organização Mundial da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde (OMS/Opas). Além disso, outros vírus respiratórios, incluindo o da covid-19, também estão em circulação, de acordo com as autoridades de saúde.

Recentemente, a jornalista Yirmara Torres Hernández descreveu em suas redes sociais a situação em Matanzas: “Hoje, parece uma cidade de zumbis… é assim que estamos, curvados e com dores. Basta sair às ruas para perceber.” Os relatos que chegam da ilha falam de pacientes com febre, curvados e com dificuldades para se mover, reflexo da epidemia em curso.

Esse quadro se agrava em um contexto de crise extrema no sistema de saúde, que enfrenta falta de medicamentos, limitações diagnósticas e uma crescente crença entre os cubanos de que a automedicação em casa é uma opção mais viável do que buscar atendimento hospitalar. As autoridades de saúde confirmaram pelo menos 47 mortes relacionadas a arboviroses, embora especialistas e ativistas acreditem que o número real seja muito maior, com muitas mortes não registradas ou atribuídas a outras causas.

Fontes consultadas pela BBC News Mundo revelaram conhecer casos de pessoas que faleceram devido ao “vírus” nos últimos meses. O Ministério da Saúde Pública de Cuba informou que os casos de chikungunya aumentaram 71% em apenas uma semana, enquanto a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) estimou um total de 25.995 casos da doença. Contudo, muitos doentes evitam buscar assistência médica, o que torna o número real de infectados ainda mais obscuro.

No Brasil, surtos de dengue são registrados desde os anos 1980, e a preocupação com essa doença se espalha para outras regiões do mundo, incluindo países desenvolvidos da Europa e América do Norte. O vírus chikungunya, que foi identificado pela primeira vez na Tanzânia na década de 1950, chegou ao Brasil em 2013, causando seu primeiro surto entre 2015 e 2016. Em uma década, essa doença se espalhou por 60% das cidades brasileiras, resultando em sete surtos significativos.

O vírus que causa a febre oropouche foi identificado pela primeira vez em 1955 em um paciente da vila Vega de Oropouche, em Trinidad, no Caribe, e, nos anos 1960, também foi detectado no Brasil. Entre 1961 e 2000, mais de 30 surtos de oropouche foram registrados no Brasil, especialmente nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins, segundo um estudo realizado pela Universidade do Kansas (EUA). O desmatamento e as mudanças climáticas aumentam o risco de disseminação dessas doenças, criando novos ciclos de transmissão urbana — assim como ocorre com dengue, zika e chikungunya.

A BBC News Mundo conversou com diversos cubanos que relataram suas experiências com os três tipos de vírus. Hansel, um engenheiro de 31 anos de Havana, recorda que começou a ter dores intensas no joelho enquanto trabalhava. No dia seguinte, ele acordou com dores em todo o corpo, acompanhadas de febre alta, e desenvolveu uma irritação na pele após cinco dias.

Silvia, que prefere não ser identificada, contou que sua mãe e avó, na província de Pinar del Río, estão muito doentes devido ao “vírus”. Ambas apresentam febre alta e dores nas articulações, que as impedem de se levantar da cama. No entanto, nem Hansel nem a família de Silvia sabem exatamente o que têm, pois decidiram não buscar atendimento médico, acreditando ser um desperdício de tempo e energia.

Nos hospitais de Cuba, Silvia afirma que “não há condições adequadas para atender as pessoas”. O sistema de saúde está colapsado, com falta de diagnósticos adequados e medicamentos disponíveis. “A situação é muito precária. As pessoas ficam em casa como podem, praticamente sem se mover devido às dores”, relata.

Um professor de 50 anos, de Havana, também sob anonimato, confirma que poucas pessoas buscam atendimento médico após adoecer. Os cubanos preferem não ir aos hospitais devido à falta de diagnósticos seguros e medicamentos, sendo necessário recorrer ao mercado informal ou a doações de familiares que vivem no exterior.

Cuba se apresenta como uma “potência médica” devido a conquistas na formação de médicos e desenvolvimento de uma indústria biotecnológica, que inclui a produção de uma vacina nacional contra a covid-19. Contudo, a crise econômica atual levou o sistema de saúde a um estado de precariedade extrema, com falta de equipamentos e insumos básicos. A emigração de médicos nos últimos anos também contribuiu para o colapso dos serviços, deixando os profissionais que permanecem sobrecarregados e mal remunerados.

A OMS/Opas informou que as autoridades implementaram medidas de vigilância e resposta, incluindo o fortalecimento da vigilância epidemiológica e intervenções de controle de vetores nas áreas mais afetadas. No entanto, a situação crítica em Cuba não apenas prejudica o tratamento de pacientes com dengue, chikungunya e oropouche, mas também favorece a disseminação dessas doenças.

As condições de higiene nos lares e nas comunidades impactam diretamente na proliferação dos vetores que transmitem essas doenças. Hansel lamenta que, com os apagões, não é possível usar ventiladores ou ar-condicionado, o que facilita a entrada dos mosquitos. “Os lixões nas esquinas, que muitas vezes não são coletados, também contribuem para a criação de mosquitos e problemas de saúde”, acrescenta.

O governo cubano confirmou até agora 47 mortes atribuídas ao “vírus”, enquanto a OMS/Opas considera esses números válidos. Contudo, especialistas independentes afirmam que o total real pode ser maior, e muitos conhecidos relataram mortes recentes relacionadas à epidemia. “Conheço duas pessoas idosas que morreram. Uma foi encaminhada ao hospital de Sancti Spíritus, e a outra foi tratada em uma pequena sala de terapia no hospital de Fomento”, afirmou o professor mencionado anteriormente.

Outra preocupação significativa são as sequelas deixadas por esses vírus, cujos efeitos a longo prazo ainda são incertos. Muitos pacientes relatam continuar sofrendo de dores e limitações semanas ou até meses após a recuperação. “Ainda sinto dores nos dedos das mãos; por exemplo, tenho dificuldade para abrir potes. Meus ombros e a lombar também doem um pouco, e já se passou mais de um mês”, lamenta Hansel.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade