Nesta terça-feira (16), os contratos futuros de petróleo registraram seu menor valor desde fevereiro de 2021, refletindo a preocupação persistente com o excesso de oferta e a crescente possibilidade de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, o que poderia levar à redução das sanções. O barril do Brent caiu 2,71%, encerrando o dia a US$ 58,92, enquanto o petróleo West Texas Intermediate, dos EUA, fechou a US$ 55,27, com uma queda de 2,73%.
Janiv Shah, analista da Rystad, comentou sobre a situação: “O Brent caiu para menos de US$ 60 por barril pela primeira vez em meses, à medida que o mercado considera a possibilidade de um acordo de paz, o que poderia liberar volumes adicionais da Rússia e intensificar o excesso de oferta.”
Os Estados Unidos se ofereceram para garantir a segurança de Kiev com um modelo similar ao da Otan, e os negociadores europeus relataram avanços nas conversações na segunda-feira (15), o que gerou otimismo sobre uma possível resolução para o conflito. Por outro lado, a Rússia afirmou que não pretende ceder em questões territoriais, conforme reportado pela agência estatal TASS, citando o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov.
O mercado de futuros do Brent apresentou um contango pela primeira vez desde outubro, enquanto analistas do Barclays projetam que o preço médio do Brent atinja US$ 65 por barril em 2026, antecipando um excesso de 1,9 milhão de barris por dia já considerado nos preços atuais.
Angie Gildea, líder de estratégia energética da KPMG nos EUA, destacou em uma nota: “A queda dos preços reflete a atual dinâmica do mercado de energia, que é caracterizada por uma oferta abundante e uma demanda lenta. A não ser que surjam riscos geopolíticos ou mudanças nas políticas, essa fraqueza deve continuar até o próximo ano.”
Adicionalmente, dados econômicos fracos da China divulgados na segunda-feira aumentaram as apreensões sobre a possibilidade de a demanda global não ser suficiente para absorver o recente crescimento da oferta, conforme apontou Tony Sycamore, analista do IG. A produção industrial na China caiu para seu menor crescimento em 15 meses, de acordo com dados oficiais, e as vendas no varejo cresceram na taxa mais lenta desde dezembro de 2022, durante o auge da pandemia de Covid-19.