O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitou aos governos da França e da Itália que se comprometam a firmar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. “Espero que meu amigo Macron [presidente da França] e a primeira-ministra Meloni da Itália assumam a responsabilidade. No próximo sábado, estarei em Foz do Iguaçu para uma reunião da Unasul com a participação da União Europeia, e espero que eles tragam boas notícias sobre a assinatura do acordo, sem temer a perda de competitividade em relação ao povo brasileiro”, afirmou Lula.
Ele destacou que a União Europeia mostra disposição para prosseguir com o pacto, mas que Macron hesita em avançar por receios relacionados à competitividade dos produtos agrícolas e à insatisfação popular na França. “Ainda que eu tenha explicado a ele que o Brasil não compete com os produtos agrícolas franceses, pois são de naturezas diferentes e estamos oferecendo mais do que eles”, acrescentou o presidente.
Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu aprovou mecanismos de salvaguardas para importações agrícolas atreladas ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul, um passo significativo após 26 anos de negociações em busca da assinatura do pacto. No entanto, a nova proposta é mais rigorosa que a versão inicial da Comissão Europeia, que elaborou as salvaguardas em setembro.
As salvaguardas permitirão a suspensão temporária dos benefícios tarifários do Mercosul, caso a UE considere que isso prejudique algum setor agrícola local. Devido às alterações no texto, os parlamentares precisarão negociar um acordo com o Conselho Europeu, que havia apoiado a proposta anterior. As discussões estão programadas para começar nesta quarta-feira (17), com reuniões do Conselho agendadas para quinta (18) e sexta (19), e a expectativa é que o pacto seja votado ainda nesta semana.
Se aprovado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar à Cúpula do Mercosul para formalizar o acordo, que acontecerá no sábado (20), em Foz do Iguaçu, Brasil. Para que o Conselho Europeu aprove o pacto, é necessária uma maioria qualificada, ou seja, o apoio de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população do bloco.
A França é a principal representante entre os países europeus que relutam em firmar o acordo, que está em negociação há duas décadas. Agricultores franceses temem a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul, vistos como mais competitivos. Macron e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, concordaram na segunda-feira (15) sobre a necessidade de postergar a votação do acordo, conforme reportado pela agência Reuters.
A Itália pode desempenhar um papel crucial na aprovação do acordo, uma vez que, junto com a França, Polônia e Hungria, integra a lista de países que se opõem oficialmente ao tratado. Enquanto isso, Áustria e Irlanda também sinalizaram possíveis objeções, e a Bélgica já anunciou que se absterá da votação.