O soldado Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque, acusado de estelionato por exercer ilegalmente a profissão de médico, também foi considerado desertor pela Justiça Militar do Ceará. Em sua decisão, o juiz Roberto Soares Bulcão Coutinho, da Auditoria Militar do Estado, ressaltou a presença de evidências substanciais que indicam o abandono das funções públicas pelo policial.
Conforme um boletim do Comando Geral publicado em 2020, o soldado foi declarado desertor. Khlisto contestou as acusações, afirmando que as ilegalidades não foram comprovadas. Recentemente, a Justiça reafirmou a posição da Polícia em relação ao caso.
Segundo o relato do soldado, ele tomou precauções em relação às suas obrigações profissionais, informando seus superiores sobre sua condição de saúde após um acidente que resultou em cirurgia em 2020.
O juiz observou que a decisão final do processo administrativo não se baseou apenas na ausência do soldado em janeiro de 2020, mas em uma série de outras ocorrências. Ele destacou que, embora o Judiciário não possa julgar a conveniência das ações disciplinares da Administração, pode intervir em casos de abuso, garantindo que não haja arbitrariedade.
O Diário do Nordeste apurou que o processo disciplinar contra Khlisto continua em andamento na Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD). Mesmo afastado, ele permanece na folha de pagamento da Polícia Militar do Ceará (PMCE), recebendo salários. De acordo com o Portal da Transparência do Governo do Ceará, seu status é ‘ativo’ e seu último salário bruto foi de quase R$ 6 mil.
Em relação à Justiça Militar, o soldado foi condenado a pagar R$ 800 em honorários advocatícios, enquanto a pena por deserção pode variar de seis meses a dois anos de detenção. A defesa de Khlisto não foi contatada pela reportagem.
Em 19 de janeiro de 2020, após um acidente de trânsito, o soldado ficou internado por nove dias e notificou seu superior sobre sua situação de saúde, apresentando documentação que confirmava sua ausência. No entanto, o juiz constatou que Khlisto frequentemente apresentava atestados médicos para tratamento, mas falhou em manter a instituição informada sobre seu estado.
Antes disso, ele teria desertado ao não se apresentar após o término de outra licença médica, relacionada a um transtorno afetivo bipolar. O juiz mencionou que o soldado não justificou sua ausência com um atestado médico válido.
Fontes da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) revelaram que Khlisto e outros falsos médicos manipulavam documentos médicos, utilizando carimbos e assinaturas de um médico legalmente contratado, integrando um esquema fraudulento. Ele foi preso em flagrante por uso de documentos falsos em Paraipaba.
Em 2022, a Justiça do Rio Grande do Norte suspendeu o exercício de função pública do médico, afastando-o de suas atividades nas Prefeituras de várias cidades, sem direito a remuneração. Além disso, o soldado teria atuado como falso advogado em Mossoró, captando clientes para um escritório de advocacia legítimo, mas se passando por advogado.
Khlisto também é alvo de investigações no Rio Grande do Norte por vender um talão de cheques pertencente a uma mulher, sendo denunciado por estelionato em um processo que tramita na 3ª Vara Criminal de Mossoró.