É hora de discutir os impressionantes R$ 200 bilhões que o TikTok anunciou para a construção de seu colossal data center no Ceará. Essa quantia é tão elevada que, ao ouvi-la, já conseguimos vislumbrar sua magnitude, mas a melhor maneira de compreender o que esse montante realmente representa é por meio de comparações.
Para isso, a Coluna Victor Ximenes reuniu alguns dados que revelam resultados surpreendentes. De acordo com informações do IBGE, o investimento do TikTok no data center do Pecém ultrapassa o PIB (Produto Interno Bruto) atual de 14 estados brasileiros. Sim, isso mesmo. Todo o valor gerado e comercializado nas economias de 14 estados do país não alcança R$ 200 bilhões.
Confira a lista:
Nota: Os dados utilizados foram divulgados ao final de 2024, com base no ano de 2022, portanto, há um atraso nas informações.
Esse valor se aproxima até mesmo do PIB do Ceará, que, segundo o mesmo estudo, era de R$ 213 bilhões.
Legenda:
Siderúrgica da ArcelorMittal no Pecém
Foto:
Divulgação
Vamos considerar outra comparação. O maior investimento privado já realizado na história do Ceará até hoje é a siderúrgica do Pecém, anteriormente conhecida como CSP e atualmente chamada de ArcelorMittal Pecém. Essa siderúrgica, responsável por metade das exportações do Ceará, recebeu, na época de sua instalação, US$ 5,4 bilhões em investimentos. Com a cotação do dólar naquela época, que estava abaixo de R$ 2,50, isso equivaleria a aproximadamente R$ 13,5 bilhões — 15 vezes menos que o aporte destinado ao data center. Mesmo utilizando a taxa atual, o valor máximo chegaria a R$ 30 bilhões.
Embora essas empresas não estejam à venda, os R$ 200 bilhões do TikTok seriam suficientes para adquirir o Bradesco, cuja avaliação de mercado gira em torno de R$ 188 bilhões; além da WEG (R$ 185 bilhões) e da Klabin, que ocupam posições no ranking das 10 maiores empresas brasileiras (8ª, 9ª e 10ª, respectivamente), de acordo com dados da Companies Market Cap.
Este será o primeiro data center do TikTok (pertencente à chinesa ByteDance) na América Latina, fruto de uma parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos. As obras estão previstas para começar em janeiro de 2026, na ZPE (Zona de Processamento de Exportações).