A Secretaria da Proteção Social (SPS) do Governo do Ceará está promovendo o Ceará TEAcolhe, um programa que oferece apoio a mães e cuidadores de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências. Iniciado em abril deste ano e ainda em fase de testes, a iniciativa proporciona uma plataforma online de atendimento remoto gratuito, além de mapear serviços de saúde e assistenciais disponíveis no estado.
Embora o projeto tenha sido criado para atender especificamente mães e cuidadores, a coordenação informa que qualquer pessoa em busca de auxílio é bem-vinda. O objetivo da plataforma é oferecer suporte psicossocial e jurídico aos responsáveis por indivíduos atípicos, com foco na orientação sobre autocuidado e na conscientização da relevância do acompanhamento psicológico. Essa preocupação é sustentada por dados científicos; um estudo publicado em 2024 na revista Journal of Psychosocial Nursing and Mental Health Services indicou que 35,8% das mães de crianças com autismo apresentam sintomas de ansiedade e depressão.
O sistema também facilita encaminhamentos para a rede socioassistencial, como CRAS e CAPS, e, quando necessário, possibilita o acesso a medicações mediante prescrição médica. Em entrevista ao Diário do Nordeste, Dagmar Soares, coordenadora do Programa Mais Infância Ceará, mencionou que alguns problemas enfrentados pelos usuários ainda são decorrentes da fase de testes, mas detalhou os serviços oferecidos pelo Ceará TEAcolhe, que incluem:
– Apoio psicossocial
– Orientação jurídica e médica
– Assistência social
O atendimento é realizado através do site cearateacolhe.sps.ce.gov.br. O uso da plataforma segue quatro etapas visuais para o usuário. Para iniciar a consulta, é necessário permitir o uso de câmera e microfone no dispositivo. Atualmente, não há exigência de login (como o do Gov.br) ou documentação para o acesso inicial, uma medida que visa facilitar a assistência em momentos de crise, eliminando barreiras burocráticas.
Apesar da ausência de login, a equipe técnica mantém registros internos. Dagmar acrescentou que uma atualização recente resolveu um problema que apagava os dados da criança em caso de queda de conexão, garantindo agora a preservação das informações durante o atendimento.
Embora o sistema indique as etapas do processo, alguns usuários relataram dificuldades em finalizar o atendimento. Algumas mães compartilharam experiências de tentativas de acesso em diferentes dias e horários, sem conseguir contato efetivo com os atendentes, interrompendo o fluxo antes da terceira etapa (atendimento). Em nota, a SPS esclareceu que o serviço está em fase de testes e passa por atualizações constantes, reconhecendo a possibilidade de instabilidades na conexão de internet. Nos primeiros sete meses de operação, mais de 350 atendimentos foram realizados.
A ferramenta também conta com geolocalização para indicar unidades de apoio presencial, como o Nutea e o Projeto Espaço Azul. No entanto, o atendimento online não realiza agendamentos nessas unidades, servindo apenas como uma fonte de informação sobre endereços e serviços disponíveis. A SPS está em negociação com a Defensoria Pública para possibilitar encaminhamentos diretos no futuro.