A recente decisão de suspender as transmissões das missas do padre Júlio Lancellotti trouxe o cardeal Dom Odilo Scherer de volta ao centro das discussões públicas. O arcebispo de São Paulo, que tomou essa determinação, já tem uma data marcada para se afastar do cargo, em conformidade com as diretrizes da Igreja Católica. No último domingo (14), padre Júlio anunciou que a missa matinal transmitida ao vivo seria a última, um movimento orientado por Dom Odilo e confirmado pelo próprio sacerdote em uma nota divulgada na terça-feira (16). “Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acredita que isso serve como uma forma de recolhimento e proteção”, declarou padre Júlio à coluna de Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. As celebrações presenciais, no entanto, continuam normalmente.
Dom Odilo está à frente da arquidiocese desde 2007 e apresentou seu pedido de renúncia em outubro de 2024, ao completar 75 anos, idade em que bispos e arcebispos devem, segundo o Código de Direito Canônico promulgado por João Paulo II, oferecer seus cargos ao papa. O pedido foi aceito pelo papa Francisco, que, no entanto, pediu que o cardeal permanecesse por mais dois anos, estendendo sua permanência até o final de 2026.
Após sua saída oficial, será responsabilidade do Papa Leão XIV escolher o novo arcebispo da capital paulista, que supervisiona as igrejas católicas em seis regiões da cidade de São Paulo. Natural de Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, Dom Odilo tem 76 anos e é uma das figuras mais proeminentes da Igreja Católica na América Latina. Ele foi nomeado cardeal em 2007 pelo papa Bento XVI, o que o coloca entre os conselheiros diretos do pontífice e no grupo encarregado de eleger novos papas durante os conclaves. Em 2013, ganhou notoriedade internacional ao ser mencionado como um possível sucessor de Bento XVI, participando do conclave que elegeu o papa Francisco.
Por sua vez, Júlio Lancellotti, que lidera a Paróquia São Miguel Arcanjo na Mooca há quatro décadas, é amplamente reconhecido por seu trabalho com pessoas em situação de rua à frente da Pastoral do Povo da Rua. Suas transmissões nas redes sociais, que contavam com mais de 2 milhões de seguidores, costumavam atrair cerca de 15 mil visualizações por evento. A Arquidiocese de São Paulo, procurada para comentar, afirmou que a decisão sobre as transmissões foi uma conversa privada entre o padre e Dom Odilo, sem entrar em detalhes sobre os motivos que levaram a essa decisão.