Nesta quarta-feira (17), o secretário-geral da ONU, António Guterres, solicitou uma “redução imediata das tensões” entre os Estados Unidos e a Venezuela, pedindo que ambos os países ajam com cautela em meio a um clima de crescente hostilidade. Guterres enfatizou a necessidade de que as nações respeitem suas obrigações sob o Direito Internacional, incluindo a Carta da ONU e outros tratados relevantes, a fim de preservar a paz na região, conforme declarado por Farhan Haq, porta-voz adjunto da ONU.
Além da ONU, diversas nações se manifestaram em resposta à recente advertência do presidente americano, Donald Trump, que declarou que a Venezuela está “completamente cercada” e anunciou um bloqueio total a petroleiros que estejam sob sanções ao entrar e sair do território venezuelano.
Aliados da Venezuela, como Rússia e China, expressaram apoio ao governo de Maduro. Moscou advertiu que a escalada de tensões na América Latina poderia resultar em “consequências imprevisíveis” para o Ocidente, enquanto Pequim manifestou sua oposição a qualquer forma de assédio unilateral.
O governo Maduro repudiou a ameaça de Trump, chamando-a de “grotesca” e ressaltando que esta nova medida aumenta ainda mais as tensões sem precedentes entre os dois países. A escalada foi acompanhada por uma mobilização militar significativa dos EUA no Caribe, incluindo bombardeios a embarcações no mar do Caribe e no Pacífico, além da apreensão de um petroleiro venezuelano.
Governos de outras nações, como México e Alemanha, também se pronunciaram. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu que a ONU intervenha para evitar um derramamento de sangue na Venezuela e se ofereceu como mediadora. O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha expressou interesse em prevenir uma piora na situação na América Latina.
Na terça-feira, Nicolás Maduro criticou a ONU, questionando a ausência de ação do Tribunal Penal Internacional em relação à situação. Guterres já havia se manifestado anteriormente sobre as tensões entre os EUA e a Venezuela em agosto, pedindo uma resolução pacífica das diferenças. Recentemente, a ONU expressou “profunda preocupação” com a escalada atual, com análises de especialistas independentes.
Apesar das ameaças de Trump, o governo venezuelano afirmou que suas exportações de petróleo e a navegação de navios petroleiros continuam inalteradas. Em um comunicado, o governo de Maduro classificou o bloqueio como “irracional” e uma violação do livre comércio e da navegação. O texto reafirmou a soberania da Venezuela sobre seus recursos naturais e o direito à navegação livre.
Trump, em uma postagem nas redes sociais, acusou os venezuelanos de roubar petróleo e terras dos americanos, afirmando que a Venezuela está cercada pela “maior Armada já reunida na história da América do Sul”. O presidente também acusou Maduro de usar o petróleo para financiar um “regime ilegítimo” e atividades terroristas, anunciando um bloqueio total a todos os navios petroleiros sancionados.
Em dezembro, a Marinha dos EUA interceptou e apreendeu um petroleiro no Mar do Caribe, identificado como “Skipper”, que já estava sob sanções por suspeita de contrabandear petróleo. Maduro denunciou a ação como “pirataria naval criminosa”, alegando que o navio transportava 1,9 milhão de barris de petróleo. A apreensão gerou uma queda significativa nas exportações da Venezuela, deixando milhões de barris retidos em suas águas.