O encerramento da linha de montagem na unidade da Volkswagen em Dresden, na Alemanha, ocorrerá nesta terça-feira, 16, com a saída do último veículo, marcando um momento histórico após 88 anos de atividade da montadora em seu país natal.
No ano anterior, a Volkswagen já havia sinalizado a possibilidade de redução na produção, devido à demanda incerta na Europa e na China, que representa seu maior mercado, além das tarifas elevadas que impactaram as vendas nos Estados Unidos.
Em um entendimento com o conselho de trabalhadores que representa os colaboradores da empresa na Alemanha, a Volkswagen garantiu que os 230 funcionários restantes da fábrica de Dresden terão direito a indenizações, pacotes de aposentadoria ou a oportunidade de serem transferidos para outras unidades.
Inaugurada em 2001, a fábrica de Dresden começou sua trajetória fabricando o sedã Phaeton, antes de passar a produzir o hatchback e-Golf e, mais recentemente, o veículo elétrico ID.3. O último automóvel a ser montado nesta terça-feira, um ID.3 GTX vermelho, será assinado pelos trabalhadores e ficará exposto nas instalações, que continuarão abertas para visitação.
A montadora enfrenta desafios com o aumento dos custos de energia e mão de obra na Alemanha, e foi fortemente impactada pelas tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que contribuíram para um prejuízo de US$ 1,5 bilhão no último trimestre. A empresa projeta que os custos relacionados a essas tarifas poderão ultrapassar os US$ 5 bilhões neste ano.
Além disso, a desaceleração econômica na China afetou as vendas de veículos de luxo no país, impactando a Porsche, da qual a Volkswagen é a controladora. Para complicar ainda mais sua situação, a Volkswagen se viu no centro de um impasse geopolítico relacionado a chips fabricados pela Nexperia, uma empresa com sede na Holanda, mas que é de propriedade da empresa chinesa Wingtech.
Montadoras em todo o mundo estão preocupadas com a possível escassez de chips após a Nexperia ter sido nacionalizada pelo governo holandês, antes que o controle fosse devolvido à Wingtech.
Os desafios enfrentados pela Volkswagen refletem a situação da economia alemã, que encolheu em 2023 e 2024, mantendo-se estagnada neste ano. Contudo, Carsten Brzeski, economista do banco ING, observou em um relatório que a produção industrial na Alemanha apresentou recentemente “sinais de recuperação”.