A Polícia Federal lançou a Operação Igapó nesta terça-feira (16), executando mandados de busca e apreensão em dois endereços relacionados ao deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, mais conhecido como Antônio Doido (MDB-PA). Durante as buscas, os agentes encontraram uma variedade de itens, incluindo caixas de vinho, relógios, dinheiro em espécie e celulares em um apartamento vinculado ao parlamentar. Além disso, um celular foi localizado na área externa do edifício, aparentemente arremessado pela janela, conforme relataram testemunhas.
No total, a PF cumpriu 31 mandados de busca e apreensão simultaneamente em diversas localidades do Pará e do Distrito Federal. O deputado é alvo de investigações que sugerem sua liderança em um esquema criminoso voltado para o desvio de recursos públicos.
Antônio Doido, 48 anos, é deputado federal pelo MDB do Pará e já exerceu a função de prefeito de São Miguel do Guamá (PA) entre 2017 e 2020. Ele tentou a reeleição em 2020 pelo PL, mas não obteve sucesso. Nas eleições de 2022, foi eleito deputado federal com 126.535 votos.
As investigações, autorizadas pelo ministro Flávio Dino, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), surgiram a partir de indícios de que o parlamentar estaria utilizando recursos de contratos públicos do governo do Pará para financiar campanhas eleitorais de 2024. As apurações também revelam que Antônio Doido lideraria uma organização criminosa dedicada ao desvio de verbas públicas. O inquérito, que inicialmente estava sob a jurisdição da Justiça Eleitoral do Pará, foi transferido para o STF devido ao foro privilegiado do deputado.
De acordo com a Polícia Federal, duas empresas sob investigação estão registradas em nome da esposa do deputado e de um suposto “gerente” de uma de suas propriedades rurais, sendo considerados como “pessoas interpostas” que ocultam a participação direta de Antônio Doido. O contrato sob investigação se refere a uma licitação de obras no Canal do Bengui, em Belém, com um valor estimado de R$ 142 milhões.
A Operação Igapó foca na apuração de desvio de verbas públicas e crimes de corrupção, supostamente perpetrados por uma organização criminosa formada por agentes do setor público e privado.