O doutor Eduardo Rauen, que lidera o projeto TecFut no São Paulo, recomendou a jogadores do clube um fornecedor não autorizado do medicamento Mounjaro, usado para emagrecimento. Essa informação foi divulgada em uma reportagem do UOL nesta terça-feira (16) e corroborada por outras investigações da mídia.
A colaboração entre Rauen e o São Paulo envolvia a supervisão do TecFut, um centro dedicado à tecnologia e ciência aplicada ao futebol localizado no CT da Barra Funda, considerado essencial para o setor de saúde e desempenho da equipe.
Conforme a reportagem, o fornecedor sugerido por Rauen vendia Mounjaro importado, o que é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Adicionalmente, tratava-se de uma pessoa física, uma prática igualmente proibida por essa agência reguladora.
O vendedor cobrava R$ 5.599 por cada unidade, um preço significativamente superior ao valor de mercado, que varia entre R$ 1.523,06 e R$ 4.067,81, dependendo do ICMS, da dosagem e da quantidade de canetas por embalagem.
Uma investigação jornalística que simulou uma compra verificou que o fornecedor não solicitava receita médica e oferecia entrega imediata, o que reforça as suspeitas de irregularidade.
Dois jogadores do time principal utilizaram Mounjaro durante a temporada de 2025. Antes da exposição sobre o fornecedor, o São Paulo havia declarado que todas as práticas médicas estavam em conformidade com as normas atuais e que não havia relação entre o uso do medicamento e o elevado número de lesões observadas no ano.
Diante das dúvidas sobre a procedência do produto, a diretoria decidiu iniciar uma investigação interna para esclarecer responsabilidades e revisar protocolos.
O incidente também acentuou as críticas ao departamento médico, que já enfrentava relatos de desavenças internas ao longo da temporada.
Rauen comunicou que não fará mais declarações sobre o caso. Em uma nota, ele afirmou: “Minha atuação se restringe à avaliação clínica, diagnóstico e tratamento. Já me manifestei publicamente sobre o medicamento Mounjaro, com o intuito de informar e esclarecer a situação clínica e a natureza estritamente médica da indicação. Outras informações de natureza médica só podem ser fornecidas dentro dos limites éticos e legais, respeitando o dever de sigilo profissional”.
Após a repercussão, o São Paulo decidiu encerrar sua parceria com o nutrólogo, considerando o episódio uma violação dos protocolos médicos e institucionais.
O Mounjaro, que foi inicialmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, ganhou notoriedade por seu efeito na perda de peso. A prescrição do medicamento é regulamentada no Brasil desde setembro de 2023, mas apenas em junho de 2025 a Anvisa autorizou oficialmente seu uso para emagrecimento.
No entanto, a prescrição é restrita a pacientes com um IMC igual ou superior a 27 kg/m² e que apresentem ao menos uma condição de saúde relacionada ao peso. Recentemente, o órgão também aprovou seu uso para o tratamento de apneia obstrutiva do sono.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)