A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) está averiguando se a mulher de 31 anos, que foi encontrada sem vida após um suposto acidente na MG-050, em Itaúna, na Região Oeste do estado, saiu do apartamento em Belo Horizonte ainda com vida ou já sem vida. Detalhes sobre o caso foram apresentados em uma coletiva de imprensa na última terça-feira (16).
O companheiro da vítima, de 43 anos, foi detido na segunda-feira (15), durante o velório. A polícia agora aguarda resultados de exames complementares, incluindo a confirmação de DNA do sangue encontrado no imóvel onde o casal residia, além de análises das gravações do circuito interno do prédio.
As investigações tiveram início após a polícia receber gravações da praça de pedágio em Itaúna, que mostram o suspeito no banco do passageiro, operando o freio e o acelerador do veículo, enquanto a vítima permanecia no banco do motorista “totalmente inconsciente” e sem qualquer reação. “Nesse momento, foi possível observar que o autor estava no banco do passageiro e a vítima, completamente inerte no banco do motorista, sem qualquer movimento, o que indica que ela não tinha consciência”, explicou o delegado João Marcos Ferreira.
A partir das evidências, as equipes da PC monitoraram o suspeito continuamente durante o velório. Diante dos indícios coletados, ele foi abordado e preso em flagrante. A polícia já solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva.
Durante o depoimento, o homem admitiu que agrediu a companheira durante a viagem de Belo Horizonte a Itaúna. Ele alegou que, em um dado momento, enquanto a vítima dirigia, ele a agrediu, e após isso, pararam no acostamento, onde as agressões se intensificaram. O suspeito teria empurrado a mulher, causado um forte impacto em sua cabeça contra o veículo e pressionado seu pescoço pelo lado direito, conforme relatado pelo delegado.
João Marcos acrescentou que o suspeito até demonstrou com as mãos como teria comprimido o pescoço da vítima, indicando o local exato, o que é compatível com os achados da segunda necropsia. A polícia também encontrou várias marcas de unhas da vítima no braço direito e no rosto do suspeito. “Ele reconheceu que essas marcas foram deixadas pela vítima e afirmou que só parou as agressões quando ela desmaiou”, explicou o delegado.
O homem também contou que houve uma discussão anterior no apartamento em Belo Horizonte, onde, em um momento de “defesa”, atingiu o nariz da vítima, provocando sangramento. “Ele relatou que, durante a briga no apartamento, para se proteger, atingiu o nariz da vítima, o que resultou em sangramento que respingou no chão da sala”, afirmou João Marcos.
A Polícia Civil já analisou as imagens do prédio onde o casal morava, mas ainda não foi possível confirmar se a vítima deixou o apartamento consciente. O suspeito tentou se isentar da responsabilidade pela morte, alegando que, após recuperar a consciência, a vítima teria colidido o carro contra um micro-ônibus. Essa versão, no entanto, foi desconsiderada pela polícia.
De acordo com o delegado, uma testemunha que estava no micro-ônibus atingido relatou que, ao se aproximar da vítima, ela já estava “gelada”. “Essa testemunha disse que a mulher tinha sangue seco nas narinas, o que não condiz com uma morte resultante de um acidente. Ela apresentava a boca arroxeada, cerrada, e o lado esquerdo do corpo completamente roxo, sem sinais de pancada, mas com características que sugerem que ela ficou ali após a morte. Isso levantou suspeitas”, afirmou o delegado.
O motorista do micro-ônibus também informou à polícia que viu o carro da vítima se movendo em zigue-zague antes da colisão. Segundo a PC, o relacionamento do casal, que durou aproximadamente sete meses, era considerado “extremamente conturbado”, com relatos de agressões frequentes. “Era uma relação marcada por conflitos severos, com relatos de agressões, inclusive episódios graves provocados por ele. Isso era algo comum”, concluiu o delegado, que acredita que, por medo, a mulher não buscou ajuda da polícia para registrar as ocorrências.