A administração dos Estados Unidos está implementando um novo programa destinado à contratação e desenvolvimento de jovens talentos, com o objetivo de incentivar a entrada de profissionais nas áreas de tecnologia e inteligência artificial no setor público. Esta ação faz parte dos esforços do governo Trump para atualizar os sistemas administrativos e se manter competitivo na esfera tecnológica global.
A “Força Tecnológica dos EUA” foi criada para atender à demanda crescente por talentos técnicos em início de carreira dentro do governo, conforme explicou Scott Kupor, diretor do OPM (Escritório de Gestão de Pessoal), que está à frente da iniciativa.
Esse programa surge em um contexto de intensa competição por profissionais em IA, onde empresas de tecnologia estão oferecendo pacotes salariais atraentes e benefícios para capturar os melhores engenheiros e pesquisadores do mercado.
O OPM pretende recrutar inicialmente 1.000 engenheiros de software, cientistas de dados, gerentes de projeto e especialistas em IA em estágio inicial, que serão distribuídos em várias agências governamentais ao longo de um período de dois anos. Além disso, o OPM estabelecerá colaborações com empresas do setor tecnológico para facilitar a transição de gerentes em início de carreira, que poderão se licenciar de suas funções no setor privado para se integrar à Força Tecnológica.
“Se você está considerando uma carreira de longo prazo na tecnologia, não há desafios mais complexos do que os que enfrentamos no governo federal”, comentou Kupor em uma videoconferência com jornalistas antes do anúncio oficial do programa nesta segunda-feira (15).
O governo Trump tem se esforçado para aplicar a IA visando modernizar e otimizar os sistemas em todo o governo federal, incluindo o Departamento de Eficiência Governamental. Essa iniciativa, que começou sob a liderança de Elon Musk no início deste ano, não opera mais como uma entidade “centralizada”, segundo autoridades informaram no mês passado.
Em julho, o presidente Donald Trump também formalizou um plano de ação para a inteligência artificial, que abrange uma série de iniciativas e recomendações políticas focadas no fortalecimento da infraestrutura de IA nos EUA e na desregulamentação para aumentar a competitividade americana.
Os integrantes da nova Força Tecnológica dos EUA atuarão diretamente em agências específicas, em projetos determinados pela liderança de cada uma delas. O OPM realizará uma análise preliminar e uma avaliação técnica dos candidatos, encaminhando os selecionados para as entrevistas finais e decisões de contratação.
As inscrições começam na próxima segunda-feira, e o OPM espera que a maioria dos primeiros contratados comece suas funções no primeiro trimestre de 2026. De acordo com Kupor, os membros da Força Tecnológica estarão envolvidos em projetos como a integração de IA avançada em drones e armamentos no Departamento de Defesa, a criação da plataforma Trump Accounts na Receita Federal e a aplicação de IA para melhorar a inteligência no Departamento de Estado, entre outras iniciativas.
Durante os dois anos do programa, o OPM planeja trazer CEOs do Vale do Silício e outros líderes empresariais para palestras. Além disso, fechará parcerias com cerca de 25 empresas de tecnologia para oferecer mentoria e orientação de carreira aos participantes. Entre as empresas que já confirmaram sua participação estão Microsoft, Adobe, Amazon, Meta e xAI.
Ao final do programa, uma feira de empregos será realizada, oferecendo aos participantes acesso a oportunidades no setor público e privado. Os salários para os membros da Força Tecnológica devem variar entre aproximadamente US$ 130.000 e US$ 195.000.
“Estamos em uma competição intensa por talentos nessas áreas […] parte de nosso objetivo é sermos competitivos em relação à remuneração”, afirmou Kupor. Ele também ressaltou que os candidatos devem entender que, ao se inscrever, terão a chance de aprender bastante, enfrentar desafios complexos e, eventualmente, retornar ao setor privado, potencialmente maximizando seu potencial financeiro.