Alison Marques, um estudante com deficiência visual, recebeu uma versão incorreta do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 no Rio de Janeiro. A prova deveria ter sido adaptada para pessoas cegas, mas ele recebeu a edição padrão, o que prejudicou seu desempenho.
Ao pedir a reaplicação do exame, seu pedido foi negado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que justificou a recusa com a alegação de “problemas logísticos”. As informações foram divulgadas pelo portal g1.
Diante da situação, a família de Alison recorreu à Justiça Federal, que emitiu uma liminar no dia 11 de dezembro, autorizando a reaplicação da prova. No entanto, o estudante foi notificado sobre o novo exame apenas nesta segunda-feira (15), na véspera da reaplicação marcada para os dias 16 e 17.
Ao se inscrever no Enem 2025, Alison informou que necessitava de adaptações para deficientes visuais, conforme estipulado no edital, incluindo suporte de ledor, transcrição, sala acessível e tempo extra.
Por ser cego, ele deveria ter recebido o Caderno do Ledor — Caderno 9 (laranja), que inclui descrições textuais de elementos visuais, como imagens, gráficos e tabelas. Contudo, nos dias 9 e 16 de novembro, ele realizou a prova com o Caderno de Atendimento Especializado, que não contém essas descrições, impossibilitando a leitura adequada pelo ledor.
“Percebi que tinha recebido a prova errada no dia em que saiu o gabarito do primeiro dia. Pedi para a minha sogra conferir quantas questões eu tinha acertado. Ela comparou e viu que a prova que eu recebi não tinha as descrições necessárias”, contou.
Receber a prova correta, com as devidas descrições, é crucial para estudantes com deficiência visual, pois fornece detalhes que ajudam na compreensão das questões, como tabelas, gráficos e imagens que são relevantes para o texto.
Alison mencionou que no primeiro dia do exame, 53 das questões apresentavam imagens sem descrição, e no segundo dia, 77 das 90 questões continham elementos visuais.
Até o momento, o Inep não se manifestou publicamente sobre o caso.