O Banco Central adotou uma postura firme na Ata do Copom, evitando mais uma vez dar indícios de que os cortes na taxa de juros podem começar na reunião de janeiro. Tanto a equipe econômica quanto uma parte do mercado financeiro esperavam que a Ata apresentasse um tom mais conciliatório em comparação ao comunicado da semana anterior, mas essa expectativa não se concretizou. Ambos os documentos mantiveram uma linha coerente. Diante disso, o mercado agora direciona suas apostas para possíveis reduções nas reuniões de março ou até abril, como já indicam alguns economistas.
O Banco Central enumerou diversos motivos para manter a Selic em 15%. Ele mencionou os “vetores inflacionários”, que continuam sendo desfavoráveis, destacou a inflação de serviços, que tem diminuído lentamente devido ao emprego aquecido, e também abordou as expectativas de inflação que superam a meta, além dos riscos de repasses da valorização do dólar para os preços dos produtos internos.
“O Comitê reafirmou que a estratégia consiste em manter a taxa de juros em um nível elevado por um período considerável. Inicialmente, discutiu-se se essa taxa era suficiente, depois chegou-se à conclusão de que sim, e nesta reunião, foi decidido que a manutenção do nível atual da taxa de juros por um período prolongado é a abordagem apropriada para garantir que a inflação converja para a meta,” declarou o Banco Central.
O BC tem obtido sucessos no combate à inflação. A taxa de 12 meses, conforme divulgação do IBGE, caiu para 4,46%, passando abaixo do teto de 4,5%, mas ainda longe da meta de 3%. No Boletim Focus, também se observa uma redução gradual nas expectativas, com projeções de 4,36% para 2025, 4,10% para 2026 e 3,8% para 2027.
Ao afirmar que a estratégia atual é adequada para alcançar a meta inflacionária, o Banco Central dá passos tímidos em direção ao fim do ciclo da Selic em 15%. Contudo, esse indicativo ainda não é suficiente para apontar o início dos cortes em janeiro, como desejava o governo. Na próxima quinta-feira, o BC divulgará o Relatório de Política Monetária, no qual deverá fornecer novas orientações sobre sua política de juros.