Há dez anos, Rob Reiner e seu filho Nick Reiner, que atualmente está sob investigação pela morte do cineasta e de sua esposa, produziram um filme que abordava as dificuldades enfrentadas por sua família. Nick, que lutou por um longo período contra a dependência química, foi coautor do roteiro do drama familiar de 2015, “Being Charlie”, ao lado de um amigo da reabilitação, inspirado por suas vivências pessoais. Rob, na direção, baseou-se em suas experiências como pai.
Com a aprovação da família, o longa-metragem oferece uma visão surpreendentemente honesta sobre a dinâmica familiar dos Reiner durante os anos em que os problemas de Nick se agravaram. A trama acompanha Charlie Mills, um jovem de 18 anos viciado em drogas, filho de David, um renomado ator de cinema que agora se candidata a um cargo no Congresso. Charlie sente-se ressentido com a forma rigorosa que seus pais adotam para lidar com seu vício, que inclui internações compulsórias em clínicas de reabilitação. Essa situação reflete, segundo relatos familiares, as interações entre Rob, Michele e Nick Reiner.
“Being Charlie” não traz muitas respostas e finaliza com uma espécie de trégua, marcada por um pedido de desculpas do pai, que reconhece ter agido de maneira insensível em alguns momentos. Reiner revelou, em uma entrevista no TIFF, que fez esse pedido ao filho na vida real. Ele também comentou que, durante a produção do filme, seu relacionamento com Nick havia se fortalecido. “Para ser sincero, quando chegamos ao estágio de fazer o filme, nossa relação havia se tornado muito mais próxima.”
Rob Reiner, de 78 anos, e sua esposa, Michelle Singer Reiner, de 68, foram encontrados mortos em sua residência em Los Angeles neste domingo (14). Conhecido por dirigir clássicos como “Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro”, “Misery” e “Questão de Honra”, o caso está sendo investigado como homicídio. Segundo as autoridades, a polícia e os bombeiros foram acionados, e o vice-chefe da polícia local, Alan Hamilton, informou à BBC News que os corpos permaneceram na residência por mais de seis horas após a chegada das equipes de emergência.