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México busca fortalecer laços comerciais com o Ceará diante de novas tarifas

O novo embaixador do México no Brasil, Carlos García de Alba, recentemente empossado, elegeu o Ceará como um dos principais focos para o fortalecimento das relações entre os dois países. Durante sua visita a Fortaleza, o diplomata ressaltou a necessidade de diversificar as conexões que historicamente se concentram entre São Paulo e a Cidade do México, abrindo oportunidades para o Nordeste. “Precisamos descentralizar e expandir nossas relações. Os governos locais devem ter um papel mais ativo”, declarou.

O embaixador destacou que o México está preparado para intensificar sua atuação no Nordeste, com ênfase em áreas estratégicas, como energia, agricultura irrigada, turismo e infraestrutura aeroportuária. Ele observou que a relação entre Ceará e México ainda é incipiente, tendo gerado apenas US$ 61 milhões em negócios no ano anterior, dos quais US$ 58 milhões corresponderam a exportações do Ceará para o México.

A aproximação enfrenta um desafio adicional com a recente decisão do governo mexicano de implementar tarifas de até 50% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil. Segundo García de Alba, o grupo mexicano ASUR, que recentemente adquiriu a operação de vários aeroportos no Brasil, está interessado em novas aquisições, e o Nordeste é uma região promissora. “Se surgir a oportunidade de adquirir ou operar aeroportos no Nordeste, esses grupos estão prontos para agir”, afirmou. Além dos terminais, há também um interesse no setor de duty free, que atualmente é predominantemente controlado por empresas mexicanas no Brasil.

No campo da agricultura, empresas mexicanas especializadas em irrigação manifestaram interesse em investir no semiárido nordestino. “Se houver oportunidades para irrigação de produtos agrícolas, esses grupos estão prontos para se envolver”, destacou o embaixador.

O setor energético é visto como uma área estratégica também. Em encontro com o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, o embaixador enfatizou que o México deseja importar a experiência brasileira em diversificação de fontes e uso eficiente de energia, especialmente na produção de etanol, uma tecnologia ainda não disponível no México. “Uma missão mexicana virá ao Brasil no final de janeiro para aprender com essa experiência e iniciar a produção de etanol no México”, afirmou.

Embora Brasil e México juntos representem 65% do PIB da América Latina e 62% das exportações da região, o intercâmbio comercial entre eles permanece modesto, alcançando apenas US$ 16 bilhões anualmente. “Esse valor é muito baixo. Precisamos, ao mínimo, dobrar esse montante”, avaliou o embaixador.

Atualmente, o comércio é dominado pelo setor automotivo, mas existem negociações em andamento para diversificar as relações comerciais bilaterais, focando em setores como químico, aeroespacial, agroindustrial, farmacêutico, pesqueiro, serviços financeiros e telecomunicações. A revisão dos acordos de complementação econômica (ACE 53 e 55) está prevista para o primeiro semestre de 2026, com o objetivo de incluir mais setores e atualizar os instrumentos de cooperação comercial entre os dois países.

Outro ponto destacado foi a falta de voos diretos entre o México e as capitais nordestinas, como Fortaleza, o que limita o aumento do fluxo turístico. “Não há voos diretos para nenhuma capital do Nordeste, apenas para São Paulo. Isso restringe a expansão do turismo”, comentou. Como solução, o México planeja substituir o visto físico por um visto eletrônico a partir de fevereiro de 2026, facilitando a entrada de brasileiros.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade