Neste domingo (15), o Chile elegeu José Antonio Kast, candidato da extrema direita, como seu novo presidente, conquistando 58% dos votos e derrotando a comunista Jeannette Jara. Em seu discurso inaugural, Kast prometeu “restaurar a lei”, afirmando que irá garantir o respeito às normas em todas as regiões, sem exceções ou privilégios. “A esperança de viver sem medo triunfou”, declarou aos seus apoiadores em Santiago.
Com 59 anos, Kast assumirá a presidência em 11 de março de 2026 e governará por quatro anos. Inspirando-se em Donald Trump, ele anunciou planos para deportar cerca de 340 mil imigrantes indocumentados, predominantemente venezuelanos, e intensificar o combate ao crime no país. O presidente argentino, Javier Milei, foi um dos primeiros a parabenizá-lo, assim como Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que expressou a expectativa de colaborar com Kast para fortalecer a segurança pública e revitalizar os laços comerciais.
Kast já havia criticado anteriormente o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2018, ele se referiu a Lula como “corrupto, não uma vítima”, em resposta à nomeação de Sérgio Moro como Ministro da Justiça no governo de Bolsonaro. Após a vitória de Kast, Lula o parabenizou, mas a relação entre os dois é marcada por discordâncias.
Em 2019, Kast expressou desapontamento com políticos chilenos que rejeitaram um almoço com Jair Bolsonaro, afirmando que a decisão era “vergonhosa” e ligando-a à recusa em aceitar a prisão de Lula por corrupção. Ele elogiou Bolsonaro em 2022, destacando que o Brasil havia recuperado sua economia e segurança sob sua liderança, e ressaltando que os eleitores brasileiros deveriam optar entre “continuar no progresso” ou “retornar ao governo corrupto de Lula”.
Kast é o caçula de dez irmãos, vindo de uma família que imigrou da Alemanha para o Chile em 1950, após a Segunda Guerra Mundial, para iniciar um negócio de carnes. Apesar das críticas que tentam ligar seu pai ao partido nazista, Kast defende que ele foi forçado a participar do conflito.
Esta é a terceira vez que Kast se candidata a um cargo político. Em 2017, obteve apenas 8% dos votos, mas nesta eleição conseguiu 24% e poderá unir os votos da direita chilena. Sua campanha focou no combate à criminalidade, imigração irregular e a diminuição do papel do Estado. Fundador do Partido Republicano do Chile, criado em 2019, ele foi deputado por quatro mandatos até 2018.
Embora evite abordar temas polêmicos como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo, já se posicionou contra a união gay anteriormente. Em 2021, perdeu para o atual presidente Gabriel Boric, mas agora, com a insatisfação popular em relação ao governo, ele se posiciona como líder da oposição. Kast busca alianças com figuras como Donald Trump e Javier Milei, sendo frequentemente comparado a Jair Bolsonaro.