A negociação para a venda da participação da Novonor, anteriormente conhecida como Odebrecht, na Braskem chegou ao seu desfecho. A gestora de investimentos IG4 está prestes a adquirir dívidas que somam cerca de R$ 20 bilhões, as quais a Novonor possui com instituições financeiras como Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES.
Caso a transação obtenha a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a IG4 se tornará acionista da Braskem. Com a soma das ações preferenciais e ordinárias (que conferem direito a voto), o fundo assessorado pela IG4 terá 50,1% do capital votante e 34,3% do total de ações da empresa.
Em uma estrutura alternativa, um fundo de investimentos em participações (FIP), a Novonor deve transferir todas as suas ações ordinárias na Braskem. Através desse fundo, o controle da petroquímica será compartilhado entre o IG4 e a Petrobras.
Conforme um comunicado da Novonor, o acordo de exclusividade divulgado hoje terá validade de 60 dias. “Com as diretrizes definidas, as partes prosseguirão com as negociações relacionadas à potencial operação, abordando de maneira ordenada os aspectos legais e de governança, sempre com o intuito de concluir o processo com sucesso e agregar valor à companhia petroquímica”, afirmou a empresa.
Fontes próximas às negociações indicam que 4% das ações preferenciais da Braskem permanecerão com a Novonor, livre de ônus e sem quaisquer direitos de governança ou acionários, além dos previstos na legislação brasileira.
Após a aprovação pelo Cade e demais autoridades competentes, um novo acordo de acionistas deverá ser celebrado entre o fundo que receberá as ações da Braskem e a Petrobras, definindo assim o controle da petroquímica.
Segundo pessoas envolvidas no processo, após a conclusão da transação, a Novonor não fará mais parte deste acordo e não terá influência sobre a governança da empresa. A equipe de gestão atual da Braskem e os conselheiros continuarão inalterados, assegurando a continuidade operacional, conforme relatado.
Simultaneamente ao arranjo para a aquisição das ações, a IG4 está desenvolvendo um plano abrangente de reestruturação e valorização a longo prazo, que será implementado apenas após a finalização da transação e a formalização do novo acordo de acionistas entre o FIP e a Petrobras.
De acordo com pessoas ligadas ao negócio, a transação é essencialmente acionária e não resultará em mudanças operacionais imediatas na Braskem. Os acionistas minoritários esperam que essa transação traga maior estabilidade em termos de governança, previsibilidade e clareza estratégica para o futuro.