Uma viagem a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mudou radicalmente a trajetória da cirurgiã dentista mineira Maristella Brasil, de 34 anos. Graduada pela PUC Minas, Maristella decidiu permanecer no país em dezembro de 2020, onde começou sua jornada como recepcionista em uma clínica odontológica. De forma inesperada, ela fez a transição para o setor imobiliário e, hoje, é proprietária de sua própria empresa. Com clientes em Minas Gerais e outros estados, ela já concretizou a venda de um imóvel avaliado em R$ 23 milhões de dirhams (aproximadamente R$ 33 milhões) para um cliente de São Paulo.
Em uma entrevista à Itatiaia, Maristella, cujo sobrenome foi dado em homenagem aos avós italianos, compartilhou suas experiências iniciais em Dubai e detalhou o funcionamento do mercado imobiliário local. “Meu primeiro emprego foi como recepcionista em uma clínica dental, enquanto tentava validar meu diploma. Quando a clínica mudou de localização, precisei buscar outra oportunidade. Durante uma entrevista, o gerente percebeu meu potencial de vendedora quando negociei meu salário na hora. Ele confiou em mim e me convidou para a área de vendas. Assim, ingressei em uma grande construtora de luxo e comecei a vender imóveis”, relembra ela, que é natural do bairro Itapoã, na Pampulha, em BH.
Maristella admite que enfrentou inseguranças no início, mas logo foi direcionada para projetos inovadores, como uma ilha em formato de mapa-múndi. “Levava clientes de barco quase diariamente. Em pouco tempo, já estava entre os principais vendedores da empresa”, conta.
A corretora destaca que o mercado imobiliário em Dubai oferece várias vantagens, como a baixa carga tributária, o que contrasta com a realidade brasileira, onde os compradores enfrentam diversos impostos, como o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). “O potencial de valorização é extremamente alto, com rendimentos entre 20% a 30% em curto prazo. Além disso, a segurança e a estabilidade política e econômica dos Emirados trazem confiança ao investidor. O governo implementou políticas favoráveis para estrangeiros, incluindo a possibilidade de financiamento bancário, chamado de mortgage. A tributação é reduzida: existe apenas uma taxa de 4% a ser paga no registro no Dubai Land Department, que funciona como um cartório, e ponto final. Não há impostos anuais sobre a propriedade, aluguel ou revenda, o que significa que todo o lucro permanece com o investidor. Ademais, a renda é em moeda forte, seja em dirhams ou dólares”, explica.
Ela também menciona que estrangeiros que investem o equivalente a R$ 1,1 milhão ganham automaticamente um visto de dois anos. Com investimentos a partir de R$ 3 milhões, é possível obter um Golden Visa de dez anos, que pode ser estendido para a família. “Para adquirir um imóvel em Dubai, seja à vista ou com parcelamento da construtora, o estrangeiro apenas precisa de um passaporte válido. Se optar pelo financiamento, são exigidos comprovantes de renda e extratos bancários, pois os bancos realizam análise de crédito. Portanto, a compra à vista é bastante simples, enquanto o financiamento demanda mais documentação”, detalha.
Maristella ressalta que Dubai atrai compradores de diversas partes do mundo, incluindo europeus, russos, indianos e, cada vez mais, brasileiros. “Já vendi para clientes de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O perfil dos compradores varia: há aqueles que adquirem imóveis para diversificar seus ativos, outros o fazem para gerar renda com aluguel, e também existem os que compram pelo status. Possuir um imóvel em Dubai é considerado um sinal de sucesso e pode abrir portas. Tenho clientes que utilizam seus apartamentos em Dubai para receber parceiros de negócios e fechar contratos”, explica.
Ela mencionou que é possível encontrar imóveis em Dubai a partir de R$ 1,16 milhão. Nas áreas mais valorizadas, como Palm Jumeirah, Downtown e DIFC, os preços começam em quatro milhões de dirhams, cerca de R$ 6,5 milhões. Em segmentos de luxo, os valores podem chegar a cifras que variam entre vinte e quinhentos milhões de dirhams, ou seja, até R$ 725 milhões. “Para ilustrar, vendi um imóvel a um mineiro por quatro milhões e duzentos mil dirhams, aproximadamente R$ 6 milhões, e para um cliente de São Paulo, o valor foi de vinte e três milhões de dirhams, cerca de R$ 33 milhões”, conta.
Maristella explica que a moeda de Dubai, o dirham, é semelhante ao real, o que facilita para os brasileiros na hora de investir. “A cotação gira em torno de R$ 1,16 a R$ 1,17. Um dirham equivale a aproximadamente 27 centavos de dólar. O mais relevante é que o dirham está atrelado ao dólar, o que significa que não sofre grandes flutuações. Isso proporciona segurança, pois o investidor sabe que está diversificando seu patrimônio em uma moeda forte”, afirma a corretora, que atende seus clientes em português e inglês.
“Eu acompanho o cliente em todo o processo, tanto na compra quanto se ele desejar visitar Dubai para aproveitar passeios. Muitas pessoas combinam suas viagens de lazer com visitas a imóveis. É uma experiência completa: o cliente conhece o deserto, anda de camelo, visita o maior shopping do mundo, aprecia o Burj Khalifa e, ao mesmo tempo, realiza um investimento seguro”, conclui.
Maristella compartilha que sente falta da família e da culinária mineira, mas não planeja retornar ao Brasil. “O que mais sinto falta é da minha família. Também tenho saudades da comida da minha mãe, que é maravilhosa, e da culinária mineira em geral. Sinto falta do clima acolhedor de Minas, do pão de queijo e das longas conversas com amigos. Mas, sinceramente, não pretendo voltar a morar em BH por agora. Sou aberta a mudanças, então nunca digo nunca. A vida sempre nos surpreende”, finaliza.