BRASÍLIA – O anúncio feito pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última quarta-feira, dia 10, praticamente descartou as previsões de um corte na Selic para janeiro, conforme indicado no relatório Focus. As medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que fundamenta o boletim, sugerem que a taxa básica de juros permanecerá em 15% na próxima reunião do comitê, agendada para os dias 27 e 28 de janeiro de 2026.
No comunicado divulgado, o Copom ressaltou que a estratégia atual, que prevê a manutenção da Selic em 15% por um período “consideravelmente prolongado”, é “adequada para garantir a convergência da inflação em direção à meta”. O texto também destaca que o comitê permanecerá atento e que futuras decisões sobre a política monetária poderão ser ajustadas, afirmando que não hesitará em reiniciar o ciclo de ajuste se achar necessário.
A ata da reunião do Copom será divulgada nesta terça-feira, dia 16, às 8h. As medianas do Focus, tanto para 30 dias quanto para cinco dias, continuam a indicar um primeiro corte da Selic na segunda reunião de 2026, que ocorrerá nos dias 17 e 18 de março, com a taxa reduzida para 14,50%.
Apesar da sinalização mais cautelosa do Copom e da expectativa de cortes mais limitados, o mercado ainda projeta uma inflação superior àquela estimada pelo Banco Central. A mediana do Sistema Expectativas de Mercado para o IPCA acumulado nos quatro trimestres até o segundo trimestre de 2027, que é o horizonte relevante para a política monetária, variou de 3,92% para 3,91%. Essa taxa permanece acima da previsão do BC, que é de 3,2%.
Esses dados foram elaborados pelo Estadão/Broadcast com base nas medianas do sistema para a inflação trimestral. Quando calculada com as medianas da inflação mensal, a estimativa intermediária para o IPCA acumulado nos 12 meses até junho de 2027 caiu de 3,90% para 3,89%, também superando a projeção do Copom.