Após mais de cinco anos lidando com dívidas não pagas da Novonor, que têm a Braskem como garantia, um consórcio dos cinco principais bancos do Brasil pode ter que esperar pelo menos mais cinco anos para ver essa dívida regularizada. Este é o tempo estimado para que a Braskem consiga se reestabelecer no setor petroquímico, reduzir seu passivo, voltar a ser lucrativa e alcançar um valor de mercado que permita a quitação de uma dívida que, com juros acumulados, já se aproxima de R$ 20 bilhões.
De acordo com informações do Estadão/Broadcast, não haverá vendas de ações neste momento para saldar essa dívida. As ações continuarão sendo mantidas em um Fundo de Investimento em Participações (FIP) e só serão disponibilizadas para venda pela IG4 quando a Braskem atingir um valor de mercado mais favorável. Para isso, é essencial que a empresa ajuste sua dívida líquida, que, no terceiro trimestre de 2025, era de US$ 7,1 bilhões, apresentando uma alavancagem de 14,76 vezes (dívida líquida sobre Ebitda recorrente).
A IG4 levou sete anos para reestruturar a Iguá, e fontes próximas ao processo indicam que a recuperação da Braskem poderá levar cerca de cinco anos. Durante esse período, enquanto as ações não forem vendidas, os bancos poderão receber dividendos da companhia, através do FIDC, embora essa possibilidade seja considerada improvável devido à situação financeira da empresa e às dificuldades enfrentadas pelo setor petroquímico global.
Entre as alternativas discutidas para a reestruturação da Braskem, está a venda de ativos. Contudo, uma fonte a par da situação apontou que qualquer recurso obtido com desinvestimentos deverá ser reinvestido na própria Braskem, como parte do processo de reorganização financeira.
Os empréstimos concedidos pelos bancos à antiga Odebrecht foram feitos à NSP Investimentos, uma entidade do Grupo Novonor, com garantias em ações da Braskem que foram penhoradas em uma transação envolvendo a estrutura acionária da empresa.
Após a aquisição desses créditos, o FIDC gerido pela IG4 firmou um acordo vinculante com a NSP Investimentos, que se comprometeu a transferir suas ações ordinárias controladoras da Braskem para um fundo de investimento (FIP), mediante a liquidação parcial dos créditos, sujeita às aprovações regulatórias e condições habituais.
O acordo que define a transferência das ações, negociado entre a Novonor e os bancos, está sendo elaborado há meses. A Novonor ficará com 4% das ações totais da Braskem, enquanto o FIP deterá 50,1% do capital votante e 34,323% do capital total da empresa.
A Petrobras manterá sua posição atual, mas exercerá co-controle sobre a Braskem, através da nomeação de quatro diretores operacionais e industriais e quatro conselheiros, conforme pessoas a par das negociações. A IG4 também indicará quatro diretores, responsáveis por governança, reestruturação e gestão financeira da companhia, e terá quatro assentos no Conselho de Administração, além de nomear um novo presidente.
O novo acordo de acionistas já está finalizado, mas a implementação depende do processo de transferência das ações, que a antiga Odebrecht tem um prazo irrevogável de 60 dias para concluir. Em seguida, o acordo será submetido ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para aprovação, o que pode levar cerca de 45 dias, após o que será convocada uma assembleia-geral de acionistas para ratificá-lo.
Enquanto todos esses trâmites não forem finalizados, a IG4 deve evitar fazer nomeações ou intervir na empresa para iniciar sua reestruturação financeira. No entanto, uma pessoa que acompanha o caso comentou que algumas discussões sobre os próximos passos podem ser iniciadas com os atuais assessores financeiros da Braskem, a Lazard, e seus consultores jurídicos.