Como os filhos de celebridades encaram a possibilidade de serem deserdados por seus pais abastados? Em suas declarações públicas, alguns expressaram aceitação em relação à ideia de não herdar a fortuna acumulada por seus progenitores. Outros, entretanto, manifestaram descontentamento com a perspectiva de não terem direito aos bens dos pais.
Ronald, filho do ex-jogador Ronaldo Fenômeno e Milene Domingues, revelou que não se preocupa em não receber herança do pai, que, segundo ele, não tem planos de deixar bens materiais para os filhos. “Muitas pessoas pensam que é normal achar que ‘ah, é dinheiro do pai ou da mãe, é da família’. Eu, particularmente, não vejo dessa forma. Meu pai até brinca que não deixará herança para mim e meus irmãos”, comentou em uma entrevista ao programa No Lucro CNN. Ronald, que é DJ e produtor musical, explicou que a riqueza do pai será investida na Fundação Fenômenos. “Sinto que é uma responsabilidade saber que devo lutar por meu próprio caminho. Não é porque ele teve sucesso que eu deva me aproveitar disso.”
Thammy Miranda, vereador e filho da famosa cantora Gretchen, apoia a ideia de sua mãe de aproveitar ao máximo sua fortuna, ao invés de deixá-la para os filhos. Gretchen, que tem seis filhos, acredita que cada um deve construir seu próprio patrimônio. “Ela sempre nos disse que não devemos nos preocupar com heranças, pois cada um deve buscar a sua própria trajetória. Ela afirmou: ‘Vocês são filhos de pais diferentes, assim não haverá brigas sobre herança, e eu vou gastar tudo em vida'”, revelou Thammy em uma entrevista.
Gaby Cabrini, filha do jornalista Roberto Cabrini, criticou a decisão de pais que optam por não deixar herança para seus filhos, defendendo que isso é uma atitude de “dor de cotovelo”. Participando do programa Fofocalizando (SBT), Gaby expressou que “os pais devem desfrutar de suas vidas e não deixar tudo para os filhos”. Para ela, é um equívoco não deixar bens após a morte.
João Silva, o filho mais conhecido do apresentador Faustão, também comentou sobre o assunto, afirmando que não depende da riqueza do pai. “O dinheiro do meu pai é dele, não meu. Meu foco é construir meu próprio patrimônio”, declarou em entrevista ao programa No Lucro CNN. João ressaltou que, apesar de ter crescido em um ambiente financeiramente estável, busca a independência. “Meu pai sempre me incentivou a ser independente após os 21 anos. Consegui isso um pouco antes, mas ainda moro com ele e não pago contas”, explicou.
No Brasil, a legislação permite que uma pessoa decida o destino de até 50% do seu patrimônio após a morte, utilizando um testamento. Assim, é possível beneficiar amigos, privilegiar um filho em dificuldades financeiras ou fazer doações a instituições de caridade. Entretanto, os 50% restantes devem ser divididos entre os herdeiros necessários, que incluem descendentes, ascendentes e cônjuges.
Os herdeiros necessários podem ser deserdados em circunstâncias excepcionais, como a prática de crimes que os tornem “indignos”. Para excluir um descendente, por exemplo, o testador pode alegar ofensas físicas ou falta de apoio em momentos difíceis. A exclusão deve ser formalizada através de um processo judicial, e o Ministério Público pode intervir em casos de homicídio ou tentativa de homicídio contra o testador ou seus familiares.