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O STF fez uma advertência a Lula?

Conforme já abordado anteriormente, o presidente da Câmara, Hugo Motta, está buscando um entendimento com Lula para elaborar um projeto que visa diminuir as penas dos condenados pelo incidente de 8 de Janeiro. Essa proposta serviria como alternativa à anistia promovida pelos bolsonaristas.

Após essa articulação se tornar pública, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reconheceu que o governo poderia considerar a questão, desde que isso não envolvesse Jair Bolsonaro e os generais. No entanto, essa declaração não foi bem recebida pelos ministros do STF, levando Gleisi a retractar-se, alegando que suas palavras foram “mal colocadas” e que cabe ao Supremo decidir sobre as penas.

Parece que estamos cada vez mais aceitando como normal algo que está longe de ser legal ou aceitável. Para esclarecer, a jornalista Bela Megale reportou que, em resposta às declarações de Gleisi sobre a possibilidade de amenizar as penas, ministros do STF teriam feito um “alerta direto a Lula”. Essa forma de alerta é considerada mais severa do que um alerta indireto na hierarquia de avisos.

“O presidente foi notificado sobre a revolta que a declaração de Gleisi provocou na Corte e recebeu a mensagem de que qualquer respaldo do governo à tentativa do Congresso de alterar as penas relacionadas ao 8 de Janeiro, definidas pelo Supremo, resultaria em uma grande crise entre o tribunal e o executivo”, escreveu a jornalista, sem que haja qualquer desmentido até agora.

Estou me perguntando se realmente houve uma ameaça ao Lula por parte do STF. Caso isso tenha acontecido, é pertinente questionar — e creio que todos deveriam fazer isso — se é adequado que juízes adotem esse tipo de postura em relação a qualquer pessoa. É razoável supor que tal comportamento extrapola os limites da legalidade.

Diante dessa reflexão, amplifico minhas perguntas: o que realmente significaria a eclosão de “uma grande crise” com o STF? Considerando que cabe ao tribunal julgar questões de relevância político-administrativa, isso implicaria que os ministros passariam a prejudicar deliberadamente Lula em casos que envolvessem diretamente seus interesses?

O ato de prejudicar possui um significado amplo no Brasil, englobando a falta de favorecimento por razões de amizade, ideologia ou conveniência do momento — e juízes não deveriam agir assim, nem com Lula nem com qualquer outra pessoa, correto?

Os condenados pelo incidente de 8 de Janeiro foram punidos por atentados à democracia. Contudo, que tipo de democracia é essa onde juízes se sentem pessoalmente afetados por acordos políticos entre o Legislativo e o Executivo, sentindo-se à vontade para emitir recados intimidatórios? Essas são apenas algumas indagações.

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