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Mr. Bungle une metal, ironia e arte em turnê que chega ao fim hoje

Na noite de segunda-feira, 26 de janeiro de 2026, pouco antes da meia-noite, o Mr. Bungle finalizou um show que já se tornou icônico no Cine Jóia, em São Paulo, de uma forma inusitada: convidando o público a “tomar no… bem, você entendeu”. Não se tratou de uma ofensa, mas sim de uma interação bem-humorada. O vocalista Mike Patton tinha a plateia, suada e contente, completamente sob seu domínio ao concluir uma apresentação barulhenta, ousada, levemente perturbadora e, acima de tudo, incrivelmente divertida. Aquela era uma verdadeira celebração. É importante destacar: poucas bandas possuem a intensidade do Mr. Bungle.

Mas vamos por partes. Retrocedendo um pouco.

É raro observar grupos de rock completando um ciclo tão coeso como este quinteto originário do norte da Califórnia. Nos anos de adolescência, Mike Patton, Trey Spruance e Trevon Dunn sonhavam em tocar heavy metal, seja death, thrash ou speed. Após unirem forças com os restos de duas bandas e adotarem o nome de um comercial dos anos 50, eles formaram o Mr. Bungle, realizaram alguns shows e lançaram a lendária demo “The Raging Wrath of the Easter Bunny” em 1985. Outras duas demos seguiram até o final da década de 1980, quando Patton foi convidado a se juntar ao Faith No More.

A notoriedade global do vocalista/multi-instrumentista/gênio musical, que se destacou como um dos pioneiros do funk metal, possibilitou que a gravadora Warner firmasse contrato com o Mr. Bungle, que era considerado uma “banda secundária” na carreira de Patton. Em 1991, o álbum autointitulado “Mr. Bungle” levou o grupo, que ainda carregava suas raízes no metal, a expandir seu som em direções inesperadas. Com a produção do jazzista avant-garde John Zorn, o álbum mesclou o peso do metal com influências de disco, ska, jazz, uma pitada de música de parque de diversões e uma veia cômica, sombria e desconcertante. Uma combinação brilhante.

Enquanto o Faith No More conquistava o mundo, Patton ainda encontrava tempo para se divertir com o Mr. Bungle. Em 1995, lançaram o ainda mais experimental “Disco Volante”, que afastou completamente a leve influência pop do trabalho anterior. Ao reverter a fórmula, “California” foi lançado em 1999, destacando uma sonoridade de lounge music e um som surpreendentemente acessível — bom, pelo menos até onde o Mr. Bungle poderia ser considerado acessível. Naquela época, o Faith No More havia se separado, e Patton se dedicou a turnês com o Bungle até o início dos anos 2000, quando a banda encerrou oficialmente suas atividades em 2004.

“NOSSO PRIMEIRO AMOR FOI O METAL”

Contudo, não foi esse Mr. Bungle excêntrico e experimental que desembarcou no Brasil para uma mini turnê que começou no Cine Jóia, passou por Curitiba e culmina hoje em São Paulo, abrindo para o Avenged Sevenfold. Retornando como uma ferida que se recusa a cicatrizar, o Mr. Bungle ressurgiu com Patton (é claro), Spruance e Dunn, além do guitarrista Scott Ian (do Anthrax) e do baterista Dave Lombardo, que alcançou um status quase divino entre seus colegas após redefinir a força do rock com o Slayer.

“Nosso primeiro amor em comum quando começamos a tocar foi o metal”, compartilhou Dave Lombardo em uma conversa exclusiva meses antes do retorno da banda ao Brasil — eles já haviam se apresentado em 2022 como parte do Knotfest em São Paulo. “O Mr. Bungle começou como thrash metal, a primeira demo é puramente metal.” Lombardo conhecia de forma superficial a “Raging Wrath”, mas teve a oportunidade de ouvir o material com mais atenção durante a turnê com Patton em seu projeto Dead Cross. “Achei o som fascinante, especialmente considerando a época e as condições em que eles gravaram”, comentou. “A mistura de estilos torna a banda intrigante.”

A entrada de Lombardo no grupo reflete o espírito inquieto de Patton, que, entre os diversos projetos que fervilhavam em sua mente — como “Mondo Cane”, “Peeping Tom”, “Tomahawk” e um breve retorno do Faith No More — convidou o baterista para sua superbanda Fantômas em 1998 (“O trabalho mais difícil que eu já fiz na vida”, recorda Dave). A gentileza foi retribuída quando Patton assumiu os vocais do Dead Cross, iniciativa de Lombardo, em 2015. Nesse momento, a ideia de regravar “The Raging Wrath of the Easter Bunny” já habitava os sonhos de Mike Patton, e o resto é história.

“TEMPOS DIFERENTES NA MESMA FAIXA”

O projeto foi anunciado em 2019 e concretizado no ano seguinte, quando o mundo ainda enfrentava os efeitos da pandemia de Covid. “Foi um desafio, pois a música, embora soe como metal, possui partes que mudam constantemente, com batidas e tempos diferentes, às vezes na mesma faixa”, lembrou Lombardo. “É um álbum de metal escrito de uma maneira não convencional, e eu tive que me preparar.” Antes de entrar em estúdio, o Mr. Bungle realizou três shows — em Los Angeles, São Francisco e Brooklyn — para aprimorar o material. “Foi uma decisão sábia, pois na estrada as músicas ganharam forma, e quando fomos gravar o disco, tudo fluiu.”

Diante da enorme demanda pelos três primeiros shows, a banda ampliou as apresentações para sete. Sem tocar nenhuma faixa dos três álbuns lançados pela Warner, o Mr. Bungle apresentou, além da demo original na íntegra, três músicas escritas na época de seu lançamento e que nunca haviam sido gravadas (entre elas a poderosa “Eracist”) e uma seleção de covers que iam de Circle Jerks a Corrosion of Conformity, passando por Crumbsuckers e Cro-Mags. Com o lançamento de “The Raging Wrath of the Easter Bunny Demo”, a banda voltou às suas raízes do metal mais puro, agressivo e intenso, e está em turnê desde então.

Isso nos leva à noite memorável no Cine Jóia. Se um show de “rock pesado” serve também como uma forma de alinhar os chakras, restaurando corpo e mente ao se entregar à batida inclemente do metal, o Mr. Bungle vai além. Com um som de qualidade impecável (jamais ouvi guitarras soando tão densas, ou uma bateria com um pulso tão devastador), o senso de humor anárquico e inesperado de Patton eleva a experiência a um nível quase sublime.

“EU ADORO BAILE FUNK!”

Não houve economia. Em pouco mais de duas horas, a banda tocou “Raging Wrath” quase na íntegra (exceto pelas faixas “Mathematics” e “Loss For Words”), resgatou duas músicas da fase “proibida” (“My Ass Is on Fire” do primeiro álbum; “Retrovertigo” de “California”) e enriqueceu o set com covers inteligentes como “USA” do Exploited, “I’m Not in Love” do 10cc (que ganhou nova vida após aparecer na trilha de “Guardiões da Galáxia”) e uma versão catártica de “Refuse/Resist” do Sepultura. Quando as luzes se acenderam, eu honestamente não conseguia lembrar nem do meu nome.

Se o público ficou agradavelmente atordoado, essa imprevisibilidade é parte do tempero que alimenta a bateria de Dave Lombardo. “Sempre existe a possibilidade de outras músicas dos primeiros álbuns aparecerem na turnê, mas eu nunca sei de nada”, diverte-se. “Como é típico de Mike Patton e do Mr. Bungle, a gente só descobre essas decisões 24 horas antes do show: ‘Precisamos tocar isso!’, e lá vou eu aprender uma música nova.”

O mesmo se aplica às inserções feitas durante as músicas. No Cine Jóia, “My Ass Is on Fire” foi intercalada com “Funkytown”, um clássico disco do Lipps. Inc. Já na apresentação em Curitiba, onde Andreas Kisser assumiu a guitarra no lugar de Scott Ian (que estava com o Anthrax), o público ouviu “Bololo Haha”, do MC Bin Laden. “Eu adoro baile funk!”, exclamou Lombardo entre risadas. Quem diria!

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade

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