O renomado diretor Francis Ford Coppola, responsável por clássicos como a trilogia “O Poderoso Chefão” e “Apocalipse Now”, compartilhou sua visão sobre os filmes mais significativos já produzidos. A seleção foi feita durante sua participação no quadro ‘Criterion Closet’, uma iniciativa da The Criterion Collection, famosa por restaurar e distribuir obras cinematográficas de grande relevância. Neste espaço, diversas personalidades do cinema têm a oportunidade de explorar uma coleção de DVDs e Blu-rays.
A seguir, confira as preferências de Coppola.
**’Playtime’ (1967) e a obra de Jacques Tati**
Coppola destacou não apenas “Playtime – Tempo de Diversão” (1967), mas a obra completa de Jacques Tati, considerando-o um cineasta excepcional que investiu suas economias pessoais para realizar o filme, já que os métodos de financiamento da época não o apoiavam. “Infelizmente, ‘Playtime’ não teve sucesso na época de seu lançamento e Tati morreu sem dinheiro, sem saber que sua obra seria reconhecida como um clássico”, refletiu Coppola. Para ele, “Playtime” vai além de uma simples obra-prima; é um presente ao público, divertido e prazeroso para todos. Coppola ainda traçou um paralelo entre Tati e sua própria experiência: “Ele é um dos poucos cineastas que arriscou sua fortuna para criar algo único, e quando isso ocorre, o filme tende a permanecer relevante ao longo do tempo.”
**Quem foi Jacques Tati?**
Jacques Tati, cineasta e ator francês, deixou sua marca no cinema ao oferecer uma perspectiva crítica e divertida sobre a modernidade. Originalmente um jogador de rúgbi, começou sua carreira artística como mímico, desenvolvendo um humor físico que se destacava em suas produções. Nos anos 40, se aventurou no cinema como ator e roteirista, criando um dos personagens mais icônicos da sétima arte: Monsieur Hulot, que se tornou um símbolo do homem comum em um mundo cada vez mais mecanizado.
Tati dirigiu seis longas-metragens, todos aclamados pela crítica e pelo público. Confira a lista dos filmes mencionados por Coppola:
– **Jour de fête (Dia de Festa)** – 1949: Tati interpreta um carteiro cuja rotina se transforma em um caos com a chegada de um parque itinerante, utilizando humor visual para comentar sobre a tecnologia.
– **Les vacances de Monsieur Hulot (As Férias do Sr. Hulot)** – 1953: Hulot tenta relaxar em um balneário, mas sua presença provoca uma série de confusões, tornando-se um sucesso mundial.
– **Mon oncle (Meu Tio)** – 1958: Hulot visita a casa moderna de seu cunhado e se depara com um choque entre o tradicional e o contemporâneo, ganhando o Oscar de melhor filme estrangeiro.
– **Playtime (Hora de Brincar)** – 1967: Hulot é transportado para uma Paris futurista, onde o filme quase sem diálogos utiliza planos amplos e humor coreografado para explorar a confusão da modernização.
– **Trafic (Trânsito)** – 1971: Hulot, agora em uma montadora, enfrenta imprevistos em uma viagem para um salão automotivo.
– **Parade (Parada)** – 1974: No seu último filme, Tati retorna às suas raízes como mestre de cerimônias em um circo, envolvendo o público em um retrato afetivo do espetáculo.
**’O Selvagem da Motocicleta’ (1983)**
Coppola expressou um carinho especial por “Rumble Fish (O Selvagem da Motocicleta)”, um projeto que ele idealizou como um filme artístico voltado para jovens. “Na época, não consegui o reconhecimento que esperava, e me senti frustrado, mas com o tempo percebi que o filme tinha seu próprio destino”, refletiu. A história acompanha Rusty James, um jovem em busca de sentido na vida em meio a um ambiente familiar complicado e a influência de seu irmão, o Motoqueiro. Para Coppola, o maior prêmio de sua carreira é quando um jovem lhe diz que decidiu fazer cinema inspirado por seus filmes.
O elenco conta com estrelas como Matt Dillon, Mickey Rourke, Nicolas Cage, Dennis Hopper e Diane Lane.
**A Vida é Uma Dança (1940)**
No filme de Dorothy Arzner, Judy O’Brien (Maureen O’Hara) é uma talentosa bailarina que, após a morte de sua mentora, se vê acompanhada de Bubbles (Lucille Ball), uma parceira que utiliza sua sensualidade para brilhar. A relação entre as duas é testada por suas diferenças, especialmente quando se envolvem com o mesmo homem. Coppola relembrou que Arzner foi sua professora de direção na UCLA, e destacou a importância de ter uma boa visão do elenco e da câmera, além de criar um ambiente de confiança entre os atores.
**Quatro Filmes em Parceria com David Lean e Noël Coward**
Coppola elogiou o dramaturgo e compositor Noël Coward, escolhendo um box com quatro filmes que foram dirigidos por David Lean. “Durante a produção de ‘O Poderoso Chefão’, recebi várias propostas para dirigir peças e acabei por dirigir uma de Coward”, contou. Nos anos 40, Lean e Coward colaboraram em quatro filmes que mesclavam humor britânico e drama emocional, refletindo a vida cotidiana durante e após a guerra. Confira os filmes:
– **Em que Servimos (1942)**: Uma crônica da vida dos marinheiros da Marinha Real no contexto da Segunda Guerra.
– **Esta Raça Feliz (1944)**: Retrato da vida da família Gibbons entre as duas guerras mundiais.
– **Breve Encontro (1945)**: Um romance proibido entre uma dona de casa e um médico que se conhecem em uma estação de trem.
– **Espírito Alegre (1945)**: Uma comédia sobre um escritor que provoca o retorno do espírito de sua primeira esposa, causando confusões.