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A resistência do cinema frente à ascensão da inteligência artificial

Na série de quadrinhos “American Flagg!”, criada por Howard Chaykin nos anos 80, o protagonista, um ex-ator, muda de rumo ao se juntar à força de segurança de um grande conglomerado político e econômico. Essa transição profissional foi motivada por um acontecimento chocante: a produtora da série de TV em que ele trabalhava o substituiu por um avatar digital, uma representação sua gerada por inteligência artificial.

O que outrora pertencia ao reino da ficção científica agora se integra à realidade contemporânea. A inteligência artificial se tornou a nova tendência de marketing, uma promessa de futuro que abre uma caixa de Pandora capaz de transformar tudo ao seu redor, ameaçando empregos e alterando a dinâmica do mundo. Apesar do caos e da incerteza, na prática, essa tecnologia se manifesta em aplicativos que facilitam a escolha de refeições (nunca experimentei, então não sei como funcionam) e em memes curtos que revelam suas limitações como ferramenta criativa.

A essência da questão é que a inteligência artificial é simplesmente uma ferramenta. Uma ferramenta que, embora útil, não impede que surjam preocupações em diversos setores da sociedade. No universo cinematográfico, um alvoroço recente foi gerado pela apresentação de Tilly Norwood, uma “atriz” concebida por inteligência artificial. A criadora de Tilly, Eline Van Der Velden, fundadora do estúdio Xicoia, atraiu atenção ao posicionar sua criação como uma performer digital, afirmando que “diversas agências” a procuraram para representá-la como uma atriz.

Entretanto, essa agitação acabou sendo apenas conversa fiada. Van Der Velden se mostrou surpresa (ou talvez tenha simulado surpresa) ao perceber a onda de rejeição devastadora que a indústria manifestou, com o Sindicato dos Atores de Hollywood emitindo uma declaração para enfatizar um ponto crucial: não há arte sem um artista que compreenda suas sutilezas. Embora alguns tecnocratas vejam um futuro promissor, a ideia de que a inteligência artificial pode substituir a experiência humana permanece no campo da ficção científica.

Estamos falando do momento presente. A evolução é inexorável, e a inclusão da IA no setor audiovisual é apenas uma questão de tempo. No entanto, sua utilização não deve se aproximar da criação de atores artificiais atuando ao lado de humanos. Quando a tecnologia se torna parte da discussão para reduzir custos em produções cada vez mais onerosas, a ficção começa a perceber o que há de bom do lado de fora.

Timur Bekmambetov, diretor de “Guardiões da Noite” e “O Procurado”, se encantou pela IA há cerca de dez anos. Depois de refilmar “Ben-Hur”, ele voltou seus olhos para Hollywood, equilibrando projetos modestos com um investimento de US$ 5 milhões para desenvolver um ator artificial viável. Para Bekmambetov, o foco não é instruir a IA a criar um personagem realista, mas sim orientá-la como se fosse uma pessoa de verdade.

“Se o personagem está olhando pela janela com uma expressão melancólica, não digo à IA que ele está triste”, esclarece Timur. “Em vez disso, utilizo o método Stanislavski e escrevo algo como ‘seu cachorro faleceu ontem, e o pôr do sol o faz lembrar de como era brincar com ele no parque’.” O diretor acredita que sua ferramenta não deve comandar as ações de um personagem artificial, mas sim guiá-lo em sua jornada.

A inteligência artificial ajudou Bekmambetov a “vender” seu próximo filme, “Justiça Digital”, onde Chris Pratt interpreta um detetive acusado de um crime violento que luta para provar sua inocência a uma “juíza” gerada por IA, interpretada por Rebecca Ferguson. “Utilizei a tecnologia para criar um rascunho do filme e apresentá-lo ao estúdio”, explica. “Era basicamente minha versão final, então o estúdio não interferiu quando finalmente filmei.” Esses atalhos são o que o cineasta russo acredita serem o futuro da IA na indústria em larga escala.

Timur Bekmambetov é, sem dúvida, um artista que utiliza uma ferramenta para aprimorar sua obra. Mesmo apostando em um futuro híbrido, ele deixa claro que não há substituto para a criatividade humana. Isso contrasta com a infinidade de “artistas de IA” que surgem diariamente na internet, afirmando que o cinema, como conhecemos, está com os dias contados. Uma análise mais cuidadosa revela que muitos desses indivíduos são cineastas frustrados em busca de seu espaço em Hollywood.

A impressionante qualidade visual de algumas cenas geradas por inteligência artificial é inegável, e é compreensível que executivos de estúdios olhem para cenários perfeitos e considerem as economias que podem fazer, não apenas em locações, mas também na contratação de artistas que criam fundos em CGI. Essa discussão é recorrente e, inevitavelmente, será decidida por questões financeiras. No entanto, trata-se de artistas usando uma ferramenta, e não de consumidores de aplicativos de IA experimentando com prompts como se fossem receitas de bolo.

Recentemente, um amigo que trabalha com efeitos digitais comentou que o futuro será personalizável, com o público decidindo o gênero, a trama e os atores de seus próprios filmes criados por inteligência artificial, produzidos sob demanda. “Vou pedir à ferramenta para criar um drama no estilo de Martin Scorsese, com Brad Pitt e Jessica Chastain, e horas depois meu filme estará pronto”, disse ele. Discordei respeitosamente, observando que não seriam Scorsese, Pitt ou Chastain ali, mas sim simulacros sem sutileza, um exercício sem valor prático.

Foi com esse pensamento que li um artigo em que o CEO da Disney, Bob Iger, sugeriu que em breve os usuários da plataforma Disney+ poderão criar seus próprios curtas-metragens usando inteligência artificial em aplicativos específicos, compartilhando os resultados com outros. A ideia do executivo seria estimular o engajamento em relação ao produto e à tecnologia. Segundo Iger, isso ajudaria a “proteger a propriedade intelectual” da empresa, enquanto o algoritmo de sua IA é alimentado voluntariamente. Inteligente.

Como qualquer inovação tecnológica, a inteligência artificial provavelmente irá passar por uma fase de explosão e pânico antes de ser integrada naturalmente à produção audiovisual. Assim como em qualquer salto para o desconhecido, surgirão muitos oportunistas em busca de espaço, enquanto os verdadeiros visionários mostrarão o caminho. Tilly Norwood ainda é apenas uma curiosidade, mas o futuro artificial logo se tornará parte do presente. Resta saber se aqueles que controlam a tecnologia decidirão se será como Johnny 5 (do filme “Short Circuit – O Incrível Robô”) ou como o T-800 (Arnold Schwarzenegger, claro). Sem direito a “hasta la vista”.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade