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O Retorno do ‘Predador’: Direção e Elenco Revelam Detalhes sobre ‘Terras Selvagens’

“Alguém comentou que eu emitia aquele som característico do Predador enquanto dormia.” A primeira experiência de Elle Fanning com o caçador intergaláctico não foi exatamente encorajadora. “Era uma época em que eu era bem jovem e não tinha ideia do que representava o Predador”, ela conta com bom humor. “Então, assisti ao filme original com Arnold Schwarzenegger e fiquei apavorada.” Durante essa jornada, ela também ouviu o famoso “clique”.

Na aleatoriedade do mundo de Hollywood, Elle Fanning acabou se juntando ao elenco da nova série. “Predador: Terras Selvagens” a apresenta como uma entidade sintética, um robô que auxilia uma das criaturas mortais em sua primeira caçada. O papel de Dek, o jovem predador, foi atribuído a Dimitrius Schuster-Koloamatangi, que também teve uma experiência assustadora com o filme original. Em meio à pandemia, ele encontrou um ponto de conexão com sua colega de elenco.

“Eu me lembro de ter visto trechos do segundo filme e de ‘Alien vs. Predador'”, diz o ator neozelandês. “Mas ‘O Predador: A Caçada’ me surpreendeu porque não estava claro que era um filme do Predador”, explica. “Assim como no filme original, senti uma incerteza sobre o que poderia acontecer a seguir.” Elle Fanning compartilha esse sentimento: “Como muitos, assisti a ‘A Caçada’ durante o lockdown e fiquei impressionada, pois parecia algo inovador.”

Uma Mescla de Gêneros

“O Predador: A Caçada” – ou “Prey”, seu título original – marcou a entrada do diretor Dan Trachtenberg (“Rua Cloverfield, 10”) na franquia. Lançado em streaming em 2022, ainda sob os efeitos da pandemia, o filme apresenta uma jovem nativa americana no século 18 enfrentando um predador na Terra. Essa foi a primeira verdadeira expansão da série com o caça cósmico, mostrando que as histórias podem seguir direções diferentes. “Prey” fez sucesso, e o estúdio confiou a Trachtenberg a continuidade da franquia.

“O que mais me impressionou no filme original com Arnold Schwarzenegger foi a fusão de gêneros”, diz o diretor. “Ele começa como um filme de ação militar, evolui para um terror slasher e, por fim, se transforma em ficção científica. Eu era muito jovem e fiquei genuinamente impactado.”

A ousadia do diretor John McTiernan (que posteriormente dirigiu “Duro de Matar” e “A Caçada ao Outubro Vermelho”) influenciou Trachtenberg em sua abordagem na série. “‘O Predador’ nunca foi apenas um filme de ação; sempre teve uma originalidade intrínseca,” salienta. “Inspirei-me nesse espírito para criar uma nova mistura de gêneros.” Primeiro, com a animação “Assassino dos Assassinos”, que explora a história da humanidade e a presença dos predadores, e agora com “Terras Selvagens”.

Um Novo Olhar

A inovação no novo filme foi transformar o Predador, que até então era o vilão da narrativa, em um personagem principal que responde às ações de suas presas humanas. Para isso, o personagem precisava ir além de um mero assassino. Se no filme de 1987 o visual da criatura era fruto do cuidadoso trabalho de maquiagem de Stan Winston, a técnica aqui necessitou evoluir.

“O traje consistia em várias partes montadas sobre meu corpo, cobertas por uma túnica”, explica Dimitrius Schuster-Koloamatangi. “Havia uma máscara completa de Yautja para cenas mais amplas, quando eu estava pulando pelo cenário ou carregando a Elle pela montanha”, continua. “Mas para capturar o rosto, usei uma touca aberta para a captura de performance.”

Essa escolha permitiu que as expressões de Dimitrius fossem digitalmente reproduzidas como Dek. “O Predador aparece em cena o tempo todo, e o público se envolve em sua jornada, então capturar suas emoções era essencial para criar essa conexão”, enfatiza. “Felizmente, não precisei passar horas sentado para aplicar maquiagem protética.” Em algum lugar, Jim Carrey deve estar se lembrando de “O Grinch” e lamentando.

“Predador: Terras Selvagens” não é a primeira produção de grande porte a inverter radicalmente o papel de um personagem. Em 1991, “O Exterminador do Futuro 2” transformou a máquina assassina defendida por Arnold Schwarzenegger no filme de 1984 em um herói.

Dan Trachtenberg revela que o filme de James Cameron foi uma grande referência quando apresentou pela primeira vez o conceito de “Terras Selvagens”. “Todos os meus filmes se inspiram imensamente em ‘T2′”, confessa o diretor. “No caso de ‘Terras Selvagens’, a principal inspiração foi combinar ação e efeitos visuais de alta qualidade com uma imensa carga emocional.”

Ele traça um paralelo, pelo menos na atmosfera, entre “O Exterminador do Futuro” e “O Predador”, ambas obras emblemáticas dos anos 80, cuja crueza buscou recriar em “Prey”. “Terras Selvagens”, por sua vez, foi desenvolvido em sintonia com ‘T2’: “O estúdio compreendeu meu argumento ao perceber que é necessário oferecer ao público algo além do que já conhecem para atraí-los ao cinema.”

Das Páginas para a Tela

Reinventar uma marca também significa lidar com toda a sua história. “Terras Selvagens” é o sétimo filme da série em quase quatro décadas – nove se considerarmos os dois “Alien vs. Predador” – e carrega as decisões tomadas por outros cineastas em diferentes épocas. “Se o que estamos fazendo nos novos filmes não substituir o que veio antes, então tudo é cânone”, explica. “Se escolhemos um caminho que sugere que algo não aconteceu, isso então deixa de ser cânone no contexto desses filmes.”

Dan é claro ao afirmar que outro cineasta, em algum momento, pode surgir com uma ideia que utilize desdobramentos de outros filmes, o que poderia excluí-los da cronologia. “O mais interessante é introduzir elementos originários do material secundário que nunca estiveram nos filmes,” diz. “Como o termo Yautja, a espécie dos predadores, que se originou em livros e não no cinema.” O estado das coisas diverte o diretor: “Cânone é uma expressão que realmente importa.”

Sua própria contribuição para a coesão da cronologia foi a cena final da animação “Assassino dos Assassinos”, que mostra uma grande galeria no planeta natal dos Predadores com os adversários que foram derrotados em combate congelados criogenicamente. Entre eles, Amber Midthunder (de “Prey”), Danny Glover (“Predador 2”) e o próprio Schwarzenegger. “Não fiz essa cena como um agrado aos fãs,” revela. “Gosto da ideia de que, agora, temos a possibilidade, por causa daquele final, de contar mais histórias com esses personagens.”

Conexões Inesperadas

Uma parte essencial do cânone de “Predador” é mantida viva em “Terras Selvagens”: a relação com o universo da série “Alien”. Os androides no novo filme, como a personagem de Elle Fanning, são criações da corporação Weyland-Yutani, “vilões” em busca incessante de armas biológicas em todo o cosmos.

Um novo encontro, embora não mencionado, nunca é descartado. Assim como na série em quadrinhos “Batman vs. Predador”, os caçadores espaciais podem ser inseridos em qualquer contexto. “Eu adoraria ver um Predador enfrentando Thanos”, brinca Dimitrius. “Mas li a HQ ‘Predador vs. Wolverine’ e achei sensacional.” Elle Fanning vai além. “Quero que ele enfrente Voldemort”, exclama, animada. “Treinei tanto e finalmente pude dar essa resposta!”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade