Hoje, Wagner Moura, aos 49 anos, esteve em uma coletiva de imprensa para discutir seu novo filme, “O Agente Secreto”. A trama é ambientada no Carnaval de 1977, em plena ditadura militar, e o ator compartilha como essa época ainda ressoa em sua memória: “Embora a ditadura tenha terminado em 85, as suas consequências permanecem. Recordo-me dos meus pais conversando em sussurros, e eu não compreendia o motivo disso”.
Moura comentou sobre como a vestimenta de seu personagem traz lembranças de sua infância: “Aquela camisa que ele usa, com o peito peludo um pouco à mostra, me faz pensar muito no meu pai”, revelou.
Ele também enfatizou a relevância das leis de incentivo à cultura em sua trajetória. “Sou um produto dessas iniciativas. Minha carreira só foi possível graças às leis que surgiram na Bahia nos anos 90, permitindo que atores como eu, Lázaro [Ramos] e Vladimir [Brichta] pudessem florescer artisticamente.”
O ator expressou sua frustração com os ataques às leis culturais e aos artistas: “Estou exausto dessa discussão. É desgastante perceber um ataque orquestrado”.
“O Agente Secreto”, que estreia nos cinemas em 6 de novembro, será lançado em mais de 90 países, incluindo regiões da América do Norte, América Latina, Europa, Ásia e Oceania. Neste filme, Moura interpreta um homem que tenta escapar de um passado enigmático. Durante o Carnaval, Marcelo se muda para o Recife em busca de tranquilidade, mas logo percebe que a cidade não é tão pacífica quanto imaginava.
O filme foi o mais premiado do ano no Festival de Cannes, onde Wagner Moura recebeu o prêmio de melhor ator, enquanto Kleber Mendonça Filho foi reconhecido como melhor diretor. “O Agente Secreto” também conquistou o prêmio da crítica, quebrando uma norma do festival ao vencer nas categorias de melhor ator e melhor diretor na mesma cerimônia.