O cantor de musicais Ben Lewis faleceu ontem, aos 46 anos. Ele ganhou notoriedade por sua interpretação do emblemático Fantasma da Ópera, não apenas no famoso musical, mas também — e principalmente — em “Love Never Dies”, a controversa sequência de “O Fantasma da Ópera”.
A trama original
Originado do romance gótico de terror escrito pelo francês Gaston Leroux, publicado em 1910, “O Fantasma da Ópera” superou suas raízes literárias para se firmar como um dos maiores fenômenos culturais do século XX, em grande parte devido ao musical de Andrew Lloyd Webber (1986).
A narrativa central se concentra no triângulo amoroso entre a jovem soprano Christine Daaé, seu protetor da elite, o Visconde Raoul de Chagny, e seu enigmático mentor, Erik – o Fantasma. Este gênio musical, desfigurado e que reside nos labirintos subterrâneos da Ópera de Paris, alimenta uma obsessão doentia por Christine, utilizando o medo e a manipulação para impulsionar sua carreira e torná-la sua eterna protegida.
A relevância da obra reside em sua habilidade de abordar temas universais como a beleza contra a feiura, a obsessão, a compaixão e a redenção, tudo ambientado em uma atmosfera repleta de mistério e paixão avassaladora, garantindo seu status como uma das histórias de amor mais duradouras e adaptadas da história.
A continuação
Quando Andrew Lloyd Webber anunciou uma sequência para seu imenso sucesso, “O Fantasma da Ópera”, a expectativa no mundo dos musicais alcançou um nível excepcional. O resultado, “Love Never Dies”, estreou em Londres em 2010 e se tornou uma das produções mais polarizadoras da história do teatro musical. Atualmente, o musical pode ser assistido em plataformas digitais.
Mais do que uma mera continuação, a obra foi considerada uma decepção por muitos.
A história se desenrola dez anos após os trágicos eventos da Ópera Populaire, em Paris. Christine Daaé, agora uma estrela internacional convidada a se apresentar no parque de diversões de Coney Island, em Nova York, embarca em uma nova vida ao lado de seu marido, Raoul, e seu jovem filho, Gustave. O que ela ignora é que a extravagante atração “Phantasma” é o domínio de seu antigo obsessivo: o Fantasma, que fugiu de Paris e criou um império artístico excêntrico.
Nesse novo cenário de luz e sombra, todos os segredos do passado emergem. A trama revela que Gustave é, na verdade, filho do Fantasma, resultado de uma única noite de amor entre ele e Christine, que traiu Raoul, agora um homem consumido pelo alcoolismo e à beira da ruína financeira. O musical, então, gira em torno da disputa não mais pela afeição de Christine, mas pela guarda da criança, enquanto ela é obrigada a confrontar sentimentos não resolvidos por seu antigo mentor.
Entretanto, o sucesso de “Love Never Dies” é eclipsado pela controvérsia. Críticos e uma parte significativa do público apontam falhas estruturais na narrativa, que muitos consideram forçada e melodramática. A caracterização de Raoul é uma das principais fontes de insatisfação: o outrora nobre visconde é apresentado como um homem amargurado, alcoólatra e ressentido, uma pálida sombra do herói romântico do musical original.
A revelação sobre a paternidade de Gustave foi recebida com ceticismo, sendo vista por alguns como uma conveniência narrativa que compromete a ambiguidade e o sacrifício do desfecho original. A questão que persiste é: a história realmente necessitava de uma continuação? Para muitos, a força de “O Fantasma da Ópera” reside precisamente em seu final aberto e dolorosamente poético.