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‘O desafio de manter o humor’: a jornada de um cineasta em transição

“Eu sou a pessoa que sou devido ao trabalho que realizo.” Esta afirmação, expressa com a tranquilidade de quem encontrou seu espaço no mundo, encapsula a trajetória de Ale McHaddo: cineasta, cartunista, comediante e criadora de personagens. Como mulher trans e figura respeitada no cenário do cinema e da animação brasileira, Ale utiliza uma ferramenta vital em sua vida: o humor, que considera sua “rede de segurança” para enfrentar questões profundas. Desde a infância, sempre foi cativada por filmes de aventura, quadrinhos engraçados e animações, especialmente as da Hanna-Barbera, que moldaram seu estilo de animação e traços.

Aos dez anos, durante o final da ditadura militar, teve sua primeira charge política publicada na revista Mad, surpreendendo sua mãe. Este foi um indício da mente inquieta que converteria observações mordazes e irônicas em arte. Apesar de sua evidente vocação artística, incentivada por um pai que a desencorajava a seguir uma carreira “entediante” como a advocacia, Ale optou por estudar artes plásticas, já que não havia cursos de animação disponíveis na época. “Meu pai sempre me apoiou muito”, recorda.

Na faculdade, ela se imergiu no mundo dos quadrinhos, inspirada por Angeli, e criou personagens como o protagonista de “Osmar, a Primeira Fatia do Pão de Forma”.

Da animação ao live-action
Embora sempre tenha se visto como animadora, uma nova oportunidade surgiu através da amizade com o ator Leandro Hassum, que dublava um personagem em “Osmar”. Ale escreveu um roteiro de comédia para ele e, encorajada pelo amigo, decidiu assumir a direção. Assim, nasceu uma parceria frutífera que já resultou em cinco filmes, incluindo “Amor sem Medida” e o sucesso mundial da Netflix “Meu Cunhado é um Vampiro”. “Meus filmes são animações filmadas”, define Ale, explicando que o talento de Hassum para o humor físico, quase cartunesco, se adapta perfeitamente a narrativas que brincam com o fantástico.

A transição e a ressignificação do olhar
O processo de transição de gênero de Ale teve início em 2020, durante o isolamento causado pela pandemia de covid-19. “Dentro de casa, sem poder escapar de mim mesma, consegui me aceitar”, relembra. Ela compartilha que nunca teve um desconforto com sua identidade masculina, tendo vivido bem, casado duas vezes e sido mãe. No entanto, a pandemia e a introspecção a levaram a confrontar uma questão que já existia de maneira mais sutil.

Após a aceitação, surgiu a “disforia”, um desconforto com seu corpo que anteriormente não era tão evidente. Para ela, a transição não significou apagar quem era, mas sim ajustar seu “avatar” para uma nova “pele”, preservando sua essência. Ale decidiu manter seu nome, acreditando que isso representa uma continuidade em sua vida e carreira. “Meu maior medo durante a transição era perder a graça, o humor e deixar de ser quem realmente sou. Por isso, continuei tocando piano.”

A transição, no entanto, não é um processo isolado; ela ressoa em todas as relações. Ale comenta abertamente sobre os desafios enfrentados em seu casamento, uma experiência que inspirou o roteiro do filme “Transbordando de Amor” — uma comédia romântica que aborda a transição pela perspectiva da esposa. Suas filhas reagiram de maneiras distintas: a mais velha, de 19 anos, aceitou a novidade de forma natural, enquanto a mais nova, com apenas 5 anos, cresceu conhecendo-a como mulher, referindo-se a ela carinhosamente como “a papai”. Uma de suas filhas, inclusive, foi fundamental para que Ale se mantivesse fiel à sua essência, ajudando-a a evitar “criar um personagem”.

Novas perspectivas na tela e na vida
A vivência da transição trouxe uma nova dimensão ao trabalho da artista. Ao dirigir “Uma Advogada Brilhante” (Netflix), onde o personagem de Hassum precisa se passar por mulher, Ale reescreveu partes da história para incluir experiências que vivenciou no mercado de trabalho. “Nos meus primeiros trabalhos após a transição, senti na pele o desconforto de ser interrompida e ter que explicar repetidamente para a equipe o que desejava que fosse feito. Isso foi incorporado ao filme”, explica. Além disso, enfatiza que esse não é um filme sobre transição.

Com o que ela chama de “soft power do cinema”, Ale busca normalizar a presença de pessoas trans na sociedade, inserindo personagens trans em papéis cotidianos, longe do estereótipo do sofrimento. “Tomei o cuidado de incluir três personagens trans. A irmã do Hassum, interpretada por Lília Lopes, uma talentosa atriz trans de comédia e drama; Nany People, que faz outro personagem; e eu interpreto uma advogada no final do filme.”

Atualmente, Ale se dedica a contar novas histórias, seja em seu show de comédia, onde transforma suas vivências em uma apresentação terapêutica, ou em projetos futuros, como um documentário sobre sua transição. Para ela, seu maior sucesso profissional pode ser o reconhecimento internacional de “Osmar”, mas sua maior conquista na vida é ainda mais essencial: “É ter a liberdade de ser quem sou.”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade