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Robert Redford: Ícone, cineasta e defensor social que construiu um legado valioso

Uma das narrativas que mais aprecio sobre Robert Redford está registrada no livro “Easy Riders, Raging Bulls”, escrito por Peter Biskind, que retrata as transformações de Hollywood quando o glamour da era dos grandes estúdios deu lugar a uma nova geração de cineastas inovadores. Um desses diretores era Mike Nichols, que, ao escalar o elenco para seu segundo filme, “A Primeira Noite de Um Homem”, realizou um teste com Robert Redford para o papel de um jovem seduzido por uma mulher mais velha. Embora reconhecesse o talento em ascensão de Redford, Nichols sentiu que havia algo que não se encaixava. “Disse a Redford que, naquela fase da vida dele, ninguém acreditaria que ele fosse um cara comum como Benjamin”, relembrou. “Ele não entendeu, então perguntei se em algum momento ele não havia se saído bem com uma garota. Ele continuou sem compreender.” O papel acabou sendo atribuído a Dustin Hoffman.

Desde que estrelou “Descalços no Parque”, ao lado de Jane Fonda, em 1967, a imagem do galã atraente pairava sobre Redford. Até aquele momento, ele havia seguido o caminho típico para jovens atores, acumulando papéis coadjuvantes em séries de TV e uma breve participação não creditada em “Até os Fortes Vacilam”, de 1962, também estrelado por Fonda. Gradualmente, ele conquistou seu espaço em produções como “Obsessão de Matar”, “Situação Crítica Porém Jeitosa” e “À Procura do Destino”, que lhe rendeu um Globo de Ouro como “novo astro”.

Embora ocupar a posição que Hollywood reservava para atores de beleza estonteante e um sorriso cativante fosse confortável, Redford pertencia a uma geração comprometida em transformar o mundo por meio da arte. Após “Descalços no Parque”, ele se aventurou no ousado faroeste “Butch Cassidy”, lançado em 1969, marcando sua primeira colaboração com Paul Newman, que se tornou um grande sucesso tanto de crítica quanto de público. O cinema parecia ter encontrado seu novo favorito, mas Redford ansiava por mais.

Com uma curiosidade sobre os bastidores da indústria cinematográfica, ele não foi creditado como produtor executivo da sátira política “O Candidato”, de 1972, mas a semente da busca por projetos que transcendiam os limites dos grandes estúdios já havia sido plantada. Se o dinheiro é o combustível que move Hollywood, Redford conseguiu impulsionar sua carreira de maneira brilhante durante a década de 1970, solidificando-se como um dos principais atrativos de bilheteira da época.

A partir do faroeste “Mais Forte Que a Vingança” (1972), que inspirou o personagem Jeremiah Johnson (que se tornou um meme), Redford acumulou sucessos como “Nosso Amor de Ontem” (com Barbra Streisand), “Golpe de Mestre” (mais uma vez ao lado de Newman), “O Grande Gatsby”, “Quando as Águias se Encontram” e “Três Dias de Condor”. “Todos os Homens do Presidente”, outro êxito tanto comercial quanto crítico, desta vez com Dustin Hoffman, consolidou sua visão política ao retratar o escândalo de Watergate que levou à queda do presidente Richard Nixon. “O Cavaleiro Elétrico”, novamente com Jane Fonda, encerrou a década com um drama que questionava a ganância das grandes corporações diante da luta do homem comum.

Para um artista, ignorar o espírito do tempo é impossível. Enquanto os Estados Unidos se recuperavam da derrota na Guerra do Vietnã, a ilusão do “sonho americano”, promovida pelo cinema após a Segunda Guerra, se despedaçava. Com esse sentimento, Redford fez sua estreia como diretor em “Gente Como a Gente”, de 1980, que explora a desintegração de uma família “perfeita” após a perda de um filho.

Aclamado no Oscar como melhor filme, “Gente Como a Gente” também rendeu a Redford o prêmio de melhor direção e simbolizou uma virada no cinema americano – menos ufanista e mais cínico, em um contexto de confronto com o governo do recém-eleito presidente Ronald Reagan. Redford compreendeu que seu país estava enfermo e apostou na arte para expor essa realidade. À frente ou atrás das câmeras, ele escolheu projetos que, embora pudessem ter um verniz hollywoodiano, apresentavam personagens com muito a dizer sobre o estado das coisas.

Após atuar em “Um Homem Fora de Série” e “Entre Dois Amores”, ele retornou à direção nos anos 1980 com “Rebelião em Milagro”, estrelado por Sonia Braga, um filme com forte carga política. Na década seguinte, enquanto desfrutava de seu status de “grande astro do cinema” em produções como “Proposta Indecente” e “Íntimo e Pessoal”, ele também realizou um de meus filmes favoritos: o thriller “Quebra de Sigilo”, de 1992, onde interpreta um especialista em segurança que, incriminado e chantageado pelo governo, faz sua última jogada contra o sistema.

Foi nessa época que Redford renomeou o festival que fundou em 1978 em Utah como Sundance Film Festival. O festival se tornou um símbolo do cinema independente, transformando Park City na capital de filmes ousados e inovadores durante seu mês de realização – em 2027, o evento terá uma nova sede em Boulder, Colorado. Sundance talvez represente o maior legado de Redford ao cinema, um santuário de ideias onde novas vozes encontram espaço para serem ouvidas.

Embora Sundance seja uma das contribuições mais visíveis do legado de Robert Redford ao cinema e ao mundo, ao longo de sua vida ele também utilizou o capital humano conquistado durante sua carreira para apoiar causas em que acreditava. Ele se destacou como defensor de questões ambientais, lutou pela defesa dos povos indígenas americanos e da comunidade LGBT. Fez oposição ao presidente Donald Trump, a quem se referiu como “monarca disfarçado”, e liderou a reação da indústria cinematográfica à pandemia, que ainda deixa marcas profundas.

Sem nunca se afastar de sua verdadeira paixão, o cinema, Redford dirigiu obras primorosas (como o sensível “Nada É Para Sempre”, com Brad Pitt, e o incisivo “Quiz Show”, com Ralph Fiennes) e permaneceu presente na atuação. Ele foi o protagonista do thriller intenso “Até o Fim”, continuou a explorar o poder em “Conspiração e Poder”, e se reuniu novamente com Jane Fonda em “Nessas Noites”. Mesmo ao retornar ao cinema comercial, sua atenção permanecia voltada para questões ambientais (“Meu Amigo, O Dragão”) e labirintos políticos (“Capitão América: O Soldado Invernal”). Em seu último papel como protagonista, em “O Velho e a Arma”, ele mais uma vez deu vida à luta do homem contra o sistema, interpretando um fugitivo da prisão de San Quentin que, aos 74 anos, se envolveu em uma série de assaltos a banco tão inusitados que o tornaram uma celebridade. O cinema (e o mundo) têm uma dívida inestimável com Robert Redford.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade