Mikey Madison se destaca como uma das atrizes mais talentosas do cinema contemporâneo, especialmente após conquistar o Oscar 2025 de Melhor Atriz por sua performance em “Anora”, dirigido por Sean Baker. Em entrevistas para o Letterboxd e o canal do YouTube da Criterion, ela compartilhou sua lista de dez filmes preferidos. Confira a seleção de Mikey Madison abaixo. Vale ressaltar que a lista não segue uma ordem específica, pois ela não a apresenta como um ranking.
**Paris, Texas (1984)**
Sob a direção de Wim Wenders, “Paris, Texas” narra a história de Travis (Harry Dean Stanton), um homem que retorna após quatro anos desaparecido no deserto. Reencontrado por seu irmão Walt (Dean Stockwell), ele busca se reconectar com o filho Hunter (Hunter Carson) e com sua ex-companheira Jane (Nastassja Kinski). A jornada de Travis o leva a confrontar seu passado e entender as razões de seu afastamento. Com uma cinematografia que captura paisagens desoladas e uma narrativa sensível, o filme aborda temas como solidão, redenção e vínculos familiares. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, é aclamado por sua poética narrativa e atuações memoráveis.
*Nota: “Paris, Texas” não está disponível em streaming no Brasil.*
**Loulou (1980)**
Dirigido por Maurice Pialat, “Loulou” explora o intenso romance entre Nelly (Isabelle Huppert), uma mulher de classe média insatisfeita com seu casamento, e Loulou (Gérard Depardieu), um sedutor sem metas claras. O filme investiga a atração física e a dinâmica de poder entre os dois, enquanto Nelly se vê dividida entre a segurança burguesa e uma paixão autodestrutiva. Com diálogos contundentes e cenas de forte realismo, Pialat critica as normas sociais e a complexidade do desejo. Reconhecido no Festival de Cannes, é considerado um clássico do cinema francês moderno.
*Nota: “Loulou” não está disponível em streaming no Brasil.*
**Prince of Broadway (2008)**
Neste filme dirigido por Sean Baker, seguimos Lucky, um imigrante ganense que vende produtos falsificados em Nova York. Sua vida muda drasticamente quando um ex-namorado de sua amiga lhe entrega um bebê, afirmando que ele é o pai. Enfrentando as dificuldades do submundo do comércio ilegal e os desafios da paternidade, Lucky tenta se equilibrar em meio a golpes e imprevistos. Com uma estética quase documental e um elenco de não profissionais, o drama retrata a resiliência dos marginalizados com humor e humanidade, antecipando a perspectiva social que Baker traria em “Projeto Florida”.
*Nota: “Prince of Broadway” não está disponível em streaming no Brasil.*
**Cada um Vive Como Quer (1970)**
Este filme de Bob Rafelson apresenta Bobby Dupea (Jack Nicholson), um pianista talentoso que abandona sua vida burguesa para trabalhar em plataformas de petróleo. Ao descobrir que seu pai está doente, ele retorna à sua família culta e distante, levando a namorada Rayette (Karen Black), uma garçonete simples. O longa investiga o conflito entre identidade e classe social, com Nicholson brilhando como um anti-herói irascível e deslocado. A famosa cena do diner (“hold the chicken”) se tornou icônica. Um marco do cinema americano dos anos 1970, que combina crítica social e melancolia existencial.
*”Cada um Vive Como Quer” está disponível para aluguel na Apple, Amazon Video e Claro Video.*
**Sem Destino (1969)**
Dirigido por Dennis Hopper, “Sem Destino” acompanha Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Hopper), dois motociclistas que cruzam os Estados Unidos vendendo drogas em busca de liberdade. Durante sua jornada, eles conhecem um advogado (Jack Nicholson) e enfrentam o preconceito de uma América conservadora. Com uma trilha sonora marcante (Hendrix, Dylan, The Byrds) e uma abordagem crua, o filme captura o espírito da contracultura dos anos 1960, celebrando a rebeldia e expondo a hipocrisia social. O final impactante consolidou seu status como um manifesto geracional e um símbolo do cinema independente, premiado em Cannes.
*”Sem Destino” está disponível para aluguel na Apple e na Amazon Video.*
**Take Out (2004)**
“Take Out”, dirigido por Sean Baker e Shih-Ching Tsou, narra a vida de Ming Ding, um imigrante chinês ilegal que trabalha como entregador em Nova York. Endividado com coiotes, ele tem apenas um dia para juntar US$ 800, enfrentando chuvas, clientes hostis e a pressão do tempo. Com um estilo documental e um elenco de não profissionais, o filme revela a dura realidade dos trabalhadores invisíveis da cidade.
*Nota: “Take Out” não está disponível online.*
**A Professora de Piano (2001)**
Sob a direção de Michael Haneke, “A Professora de Piano” segue Erika Kohut (Isabelle Huppert), uma professora de piano reprimida e dominada pela mãe, que desenvolve um relacionamento obsessivo e sádico com Walter (Benoît Magimel), um aluno mais jovem. O filme investiga temas como voyeurismo, poder e perversão, desafiando os limites do desejo e da violência psicológica. Com atuações intensas e uma narrativa impactante, Haneke oferece um estudo perturbador sobre solidão e autodestruição. Vencedor dos Prêmios de Melhor Atriz e Ator em Cannes, é um marco do cinema provocativo e psicológico.
*”A Professora de Piano” está disponível no Telecine.*
**O Diário da Princesa (2001)**
Dirigido por Garry Marshall, “O Diário da Princesa” conta a história de Mia Thermopolis (Anne Hathaway), uma adolescente desajeitada que descobre ser a herdeira do trono de Genóvia. Sob a orientação de sua avó rígida, a Rainha Clarisse (Julie Andrews), Mia deve aprender lições de etiqueta enquanto lida com a vida escolar e seus sentimentos pelo popular Josh (Erik von Detten). Com um toque de humor e charme, o filme combina elementos de conto de fadas moderno e coming-of-age, celebrando a autenticidade e a autoconfiança. O sucesso do filme lançou a carreira de Hathaway e resultou em uma sequência. Um clássico leve e inspirador do cinema juvenil dos anos 2000.
*”O Diário da Princesa” está disponível na Disney+.*
**Gilda (1946)**
Dirigido por Charles Vidor, “Gilda” é um clássico do noir que segue Johnny Farrell (Glenn Ford), um jogador que se torna capanga do milionário Ballin Mundson (George Macready). A trama se intensifica com a chegada de Gilda (Rita Hayworth), esposa de Mundson e antigo amor de Johnny, cuja relação tóxica e carregada de tensão sexual impulsiona o drama. Com diálogos afiados e uma trama repleta de mistério, o filme é famoso pela cena icônica de Hayworth cantando “Put the Blame on Mame”, e se tornou um símbolo do cinema noir, elogiado pela química explosiva entre os personagens e pela atmosfera de traição e desejo.
*”Gilda” está disponível na Belas Artes à la Carte.*
**Os Olhos Sem Rosto (1960)**
Dirigido por Georges Franju, “Les Yeux sans visage” (Os Olhos Sem Rosto) conta a história do Dr. Génessier (Pierre Brasseur), um cirurgião obcecado em restaurar o rosto desfigurado de sua filha Christiane (Édith Scob) através de transplantes ilegais. Com a ajuda de sua assistente, ele sequestra jovens mulheres, criando uma atmosfera de terror poético e melancolia. A cena da máscara de Christiane é particularmente memorável. Misturando horror gótico e estética surreal, o filme chocou o público na época, mas hoje é cultuado por sua elegância visual e narrativa perturbadora, influenciando o cinema de terror psicológico.
*Nota: “Os Olhos Sem Rosto” não está disponível em streaming.*