O documentário “Lampião, Governador do Sertão” estreia nos cinemas brasileiros amanhã, trazendo uma série de entrevistas e curiosidades sobre Virgulino Ferreira da Silva, o icônico líder do cangaço. Wolney Oliveira, que dirige a produção, revisita o cangaço 14 anos após seu trabalho anterior, “Os Últimos Cangaceiros”, que narra a história de Durvinha e Moreno, ex-membros do grupo de Lampião. “Este novo filme reconta a trajetória de Lampião, Maria Bonita e sua turma, além de explorar diversas narrativas do cangaço”, esclarece o diretor. “Tive a oportunidade de entrevistar grandes nomes como Ariano Suassuna, J. Borges, Espedito Seleiro, entre outros”.
A biografia oferece uma análise aprofundada do personagem e seu legado, repleta de lendas e controvérsias, conforme destaca o jornalista Vitor Búrigo. “Não se resume a uma simples questão de ‘bandido ou herói?'”, observa ele no programa Plano Geral desta quarta-feira. “O documentário apresenta toda essa jornada, contextualizando o cangaço e seus protagonistas”.
Desenvolvido desde 2005, o filme foi finalizado apenas em 2024. “Foram anos dedicados à coleta de entrevistas”, relata Búrigo. “É uma viagem histórica por diversos episódios da vida de Lampião, complementada por imagens marcantes”.
A jornalista Flávia Guerra considera que este filme oferece uma importante lição aos brasileiros sobre sua própria história. “Além disso, é uma obra divertida, repleta de contos e rica em imagens de arquivo”, afirma. “É um filme que merece ser assistido por todos, desde estudantes até o público dos cinemas”.
Wolney ressalta que o cangaço é um tema de grande relevância para a cultura brasileira. “É o assunto mais retratado no cinema nacional, com mais de 60 filmes de ficção sobre o tema”, explica ele, acrescentando: “No entanto, este é o primeiro documentário que aborda essa temática”.
‘O audiovisual brasileiro é nossa ponta de lança’
Em um ano repleto de conquistas para o cinema brasileiro, incluindo prêmios Oscar e Globo de Ouro, o Festival de Cannes reconheceu o Brasil como País de Honra desta edição. Como resultado, muitos artistas e personalidades do setor marcaram presença no evento da semana passada.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve presente e enfatizou que este é um “momento único e de visibilidade para o Brasil”. “Nunca houve uma representação tão significativa de produtores e artistas —mais de 400 brasileiros estão aqui. Isso contribui para um amadurecimento da produção nacional, pois tudo que conquistamos até agora resulta de uma jornada de luta. É uma nova oportunidade, e estamos prontos para aproveitá-la”.
Agora, o Brasil se insere em um cenário competitivo no cinema, enfrentando novas exigências —mas, segundo Margareth, o país está preparado para o que está por vir. “Temos a responsabilidade de entregar resultados. O Ministério da Cultura busca aumentar investimentos e organizar as regulamentações internas”, afirma.
A ministra observa que o avanço no setor foi limitado por retrocessos nos últimos anos. “Quando assumimos o ministério, encontramos uma desconstrução dos avanços anteriores, o que acabou consumindo muito tempo; e não houve continuidade nas articulações para regulamentações”, explica. “Atualmente, temos um marco regulatório, e a regulamentação é essencial para analisar projetos adequados ao setor cultural”.
Em muitos aspectos, podemos afirmar que estamos progredindo. Há muito a ser feito, mas o audiovisual brasileiro é o nosso destaque neste momento; devemos investir nele. É um mercado extraordinário, dinâmico, que gera empregos, renda e movimenta a economia. – Margareth Menezes
Apresentado por Flávia Guerra e Vitor Búrigo, o programa Plano Geral vai ao ar às quartas-feiras, às 11h, no canal de Splash no YouTube e na homepage do UOL, trazendo as últimas notícias sobre cinema e streaming. Você também pode ouvi-lo no Spotify, Apple Podcasts e Google Podcasts.