O Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (8 de outubro) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revela que, no cenário nacional, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam sinais de estabilização ou oscilações nas últimas seis semanas, com uma tendência de crescimento de curto prazo nas últimas três semanas. Os dados indicam que, embora os novos registros semanais de SRAG por Covid-19 permaneçam baixos, há aumento na incidência de vírus respiratórios como rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 em nível nacional.
Segundo os pesquisadores do programa, mesmo com a baixa de casos de SRAG na maior parte do país, a população considerada prioritária deve manter a vacinação em dia, especialmente contra a Covid-19. Para gestantes, a recomendação reforçada é a imunização contra o vírus sincicial respiratório (VSR), devido ao risco aumentado de complicações. O estudo também aponta uma leve retomada no crescimento dos casos de SRAG entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, enquanto nas demais faixas etárias os casos permanecem em estabilização.
Os dados epidemiológicos indicam que os vírus responsáveis pela maioria dos casos de SRAG continuam sendo rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2, com tendência de aumento em nível nacional. No entanto, as hospitalizações por influenza B e casos de SRAG por influenza A estão em declínio, enquanto as ocorrências por influenza B e SRAG por VSR apresentam redução. A incidência de SRAG por influenza A mantém-se em níveis baixos e estável.
Em âmbito regional, três unidades federativas — Alagoas, Roraima e Sergipe — apresentam níveis de alerta, risco ou alto risco de incidência de SRAG nas últimas duas semanas, com sinais de crescimento nas últimas seis semanas, até a Semana Epidemiológica 39. O aumento nesses estados ocorre principalmente entre crianças e adolescentes, sendo que, em Alagoas e Sergipe, o incremento está associado ao metapneumovírus. Em Roraima, ainda não há dados suficientes para identificar o vírus responsável pelo crescimento dos casos.
Outros cinco estados — Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina — também apresentam níveis elevados de incidência, porém sem sinais de crescimento na tendência de longo prazo. Entre as capitais, Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória registram níveis de alerta ou risco de SRAG nas últimas duas semanas, com sinais de aumento na incidência nas últimas seis semanas.
Nos últimos quatro meses epidemiológicos, a proporção de casos positivos de SRAG por vírus mostra que 52,5% tiveram confirmação de rinovírus, 15,8% de vírus sincicial respiratório, 15,5% de metapneumovírus, 6,5% de influenza B, 2,7% de influenza A e 4,5% de Sars-CoV-2. Quanto às mortes, a presença desses vírus entre os óbitos positivos foi de 37,2% para rinovírus, 15,5% para vírus sincicial, 14,7% para influenza B, 10,9% para influenza A e 9,3% para Covid-19.
Desde o início do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 161.053 casos de SRAG, dos quais 86.534 (53,7%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Destes, 16,2% foram de influenza A, 5,5% de influenza B, 40% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 3,8% de Sars-CoV-2. Ainda, cerca de 7.270 casos (4,5%) aguardam resultados laboratoriais.
O estudo também destaca o aumento de casos de SRAG associados ao metapneumovírus em estados das regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Mato Grosso do Sul, além do crescimento de SRAG por rinovírus em diversas unidades federativas, incluindo Acre, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Quanto à Covid-19, há sinais de aumento de casos graves em estados como Acre, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal e São Paulo, embora os níveis de incidência permaneçam baixos.
No que se refere à incidência e mortalidade, os dados indicam que, nas últimas oito semanas epidemiológicas, a maior incidência de SRAG ocorre em crianças até dois anos de idade, enquanto a mortalidade é mais elevada entre idosos a partir de 65 anos. As principais causas de óbito na faixa de idosos continuam sendo o vírus sincicial respiratório, rinovírus e influenza A, enquanto, na população infantil, o VSR e rinovírus representam as principais causas de mortalidade. A incidência de SRAG por Covid-19 permanece baixa em todas as faixas etárias.
Por fim, o boletim reforça a necessidade de manter a vacinação, especialmente contra a Covid-19 e VSR, como medida fundamental de proteção, diante do cenário de oscilações e crescimento de alguns vírus respiratórios. A divulgação de informações durante o período eleitoral segue orientações específicas, permitindo a disseminação de conteúdo informativo e de serviço ao cidadão, em conformidade com as recomendações da Advocacia-Geral da União e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.