A nova novela das sete da Globo, “Coração Acelerado”, não trouxe a emoção esperada, apesar do nome sugestivo. Com uma quantidade excessiva de performances musicais, o enredo dedicou muito tempo a números de cantoria, ao invés de aproveitar esses momentos para desenvolver melhor seus personagens e os conflitos que os cercam.
Entre uma música sertaneja e outra, a narrativa se desenrolou de maneira apressada, prejudicando a compreensão da história e a conexão do público com os protagonistas e seus dilemas.
O primeiro capítulo, com cerca de 40 minutos, falhou em estabelecer adequadamente a paixão juvenil entre Agrado (Rafaela Justus) e João Raul (Rafael Rara), de modo que o espectador não conseguiu se sentir convencido de que essa breve interação teria um impacto duradouro na vida dos personagens.
A pressa também impediu uma exploração mais profunda da rivalidade entre as irmãs Janete (Letícia Spiller) e Zilá (Leandra Leal), que promete ser um dos principais pontos de tensão na trama. Fomos informados, através de Jean Carlos (Ricardo Pereira), que Zilá teria tramado para conquistar Alaorzinho (Daniel de Oliveira), o grande amor da irmã, mas a motivação por trás dessa traição e os sentimentos de Janete em relação a isso ficaram pouco claros.
Embora essas duas tramas, centradas em amores complicados, não tenham sido bem desenvolvidas, elas costumam ressoar com a audiência. Com um elenco carismático e talentoso, “Coração Acelerado” tem o potencial de cativar os espectadores, assim como uma boa canção sertaneja. Apenas é necessário um pouco mais de paciência para desenvolver uma história que o público ainda está começando a conhecer.