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‘O temor da morte’: a conversa de Brigitte Bardot com Rita Lee

Imagem: reprodução

Brigitte Bardot, que faleceu hoje aos 91 anos, foi entrevistada pela cantora Rita Lee em 2018 para a Revista ELA, do Jornal O Globo. No decorrer da entrevista, Bardot confessou que a morte a amedrontava.

Durante a conversa, Bardot discutiu seu livro “Lágrimas de combate”, que aborda seu ativismo em defesa dos animais. “Todas as lutas são desafiadoras. Não existe uma hierarquia na dor dos animais. Contudo, o que ficará eternamente gravado em minha memória é a luta contra o massacre das focas, uma vitória que esperei por 30 anos”, destacou.

Ela compartilhou sua conexão profunda com os animais. “É um mistério semelhante ao vínculo entre mãe e filhos”, refletiu.

Sobre sua visão de Deus nos animais, ela afirmou: “Cada um de nós tem sua própria interpretação de Deus: Ele existe? Não existe? No meu entendimento, Ele concedeu aos animais tudo o que falta ao ser humano: uma beleza inerente, uma coragem admirável, uma dignidade extraordinária diante da morte, e a capacidade de viver o dia a dia sem transformá-lo em mercadoria. Além disso, eles demonstram uma lealdade incomparável ao seu grupo, sem a necessidade de dividir suas terras e bens. Possuem uma sabedoria que contrasta com as condições desumanas a que frequentemente os submetemos.”

Quando questionada sobre sua espiritualidade, Bardot revelou seu receio em relação à morte. “Sinto um amor genuíno por aquela que chamo de ‘minha Pequena Virgem’. Construí uma pequena capela para ela, onde busco refúgio, acompanhada por meus cães, gatos e todos que desejam me acompanhar. Recentemente, um porquinho me fez companhia. É um lugar selvagem, próximo ao mar: ali permito que minha mente vagueie, medito à minha maneira e me deixo envolver pela tranquilidade, pelos aromas naturais e pelos sons do mar. É nesse espaço que recarrego a coragem que, por vezes, me falta. A morte me assusta, pois é uma experiência monstruosa, e eu aprecio apenas o que é belo.”

Ela também comentou sobre sua trajetória no cinema. “O cinema foi fundamental para que eu me tornasse a figura pública que hoje utilizo em prol dos animais. Quando atuava, entregava-me completamente a esse trabalho, assim como em tudo que fiz, sempre buscando ser a melhor e triunfar no que me propus a realizar.”

Sobre o motivo de nunca ter feito filmes em Hollywood, Bardot foi direta: “Porque isso nunca me agradou.”

Refletindo sobre procedimentos estéticos, ela disse: “Sou uma mulher natural e aceito o que a natureza e o tempo trazem para mim.”

Por fim, Bardot expressou como gostaria de ser lembrada: “Como a fada dos animais.”

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade