Brigitte Bardot, que faleceu recentemente aos 91 anos, tornou-se um ícone global com “E Deus Criou a Mulher”, lançado em 1956, um longa que gerou debates acalorados e foi alvo de censura em várias nações.
No filme, Bardot dá vida a Juliette, uma jovem órfã de 18 anos que não hesita em mostrar sua sensualidade. Ela é vista tomando sol de biquíni e caminhando descalça, ignorando as opiniões alheias e os costumes da sociedade. A protagonista atrai a atenção de um homem muito rico, mas sonha em escapar com o filho mais velho de uma família local.
A forma como a mulher é retratada no filme provocou indignação. O diretor Roger Vadim, que na época era casado com Bardot, revelou que, após uma exibição para censores na França, recebeu a recomendação de cortar uma cena na qual ela aparecia nua para um adolescente. Ele se divertiu ao informar que, na verdade, a atriz estava completamente vestida naquela sequência.
Essa era uma das características fascinantes da presença de Bardot no cinema: muitos acreditavam que ela estava despida mesmo quando vestia roupas. De acordo com o Criterion Collection, essa percepção era recorrente.
Uma cena que se destacou na história do cinema ocorre quando Juliette, em um momento de fuga, se refugia em um bar e dança ao som de tambores tocados por homens afrodescendentes. O crítico Richard Brody, da revista New Yorker, descreveu essa dança como uma expressão exuberante e livre da sexualidade juvenil, algo raro na França da época.
Algumas sequências foram cortadas para o lançamento nos Estados Unidos, que na época seguia um rígido código de censura que proibia conteúdo que pudesse “deteriorar os padrões morais do público”. Entre os temas banidos estavam relações interraciais e sexo fora do matrimônio.
Além disso, o filme contribuiu para a fama de Saint Tropez como um destino turístico de luxo. Nos anos 50, a cidade era apenas uma vila de pescadores, mas sua representação nas telas, junto com o estilo de vida mediterrâneo, atraiu muitos visitantes. De maneira semelhante, a passagem de Bardot por Búzios (RJ) nos anos 60 teve um impacto similar.