Os advogados de Sean “Diddy” Combs, de 56 anos, entraram com um pedido em um tribunal federal de apelações em Nova York, solicitando a libertação imediata do artista e a anulação de sua condenação por crimes relacionados à prostituição. Alternativamente, eles pedem ao tribunal que instrua o juiz responsável pelo julgamento a reconsiderar e reduzir a sentença de quatro anos imposta ao rapper.
No recurso apresentado no Segundo Tribunal de Apelações de Manhattan, a defesa argumenta que Combs foi severamente penalizado por um juiz federal que permitiu que provas de acusações das quais ele foi inocentado influenciassem sua sentença de maneira injusta.
Atualmente, Combs cumpre pena em uma penitenciária federal em Nova Jersey, com a data prevista para sua liberação em maio de 2028. Ele foi absolvido das acusações de conspiração de extorsão e tráfico sexual em um julgamento realizado em julho, mas foi condenado sob a Lei Mann, que proíbe o transporte de pessoas entre estados para a prática de crimes sexuais.
Os advogados de Combs afirmaram que o juiz Arun Subramanian agiu como um “décimo terceiro jurado” ao proferir a sentença em outubro, argumentando que ele cometeu um erro ao permitir que provas relacionadas às acusações das quais o rapper foi absolvido influenciassem a pena. Eles observaram que Combs foi condenado por dois delitos menores de prostituição que não envolviam força, fraude ou coerção. A defesa solicitou ao tribunal de apelações, que ainda não ouviu os argumentos orais, que revogue a condenação, determine a liberação imediata de Combs ou oriente Subramanian a reduzir a pena. “Réus normalmente recebem penas inferiores a 15 meses por esses delitos, mesmo quando há casos de coerção, o que o júri não constatou neste caso”, afirmaram os advogados.
Na sentença, Subramanian afirmou que considerou o tratamento de Combs em relação a duas ex-namoradas ao determinar a duração da prisão. As ex-parceiras testemunharam que o fundador da Bad Boy Records as agrediu e as forçou a se envolver em atos sexuais com profissionais do sexo, enquanto ele assistia e registrava os encontros, em algumas ocasiões se masturbando.
A ex-namorada Cassie declarou que foi coagida a ter relações sexuais “repugnantes” com estranhos centenas de vezes ao longo de seu relacionamento de dez anos com Combs. Durante o julgamento, os jurados assistiram a um vídeo onde ele a arrastava e agredia em um corredor de hotel em Los Angeles após um desses eventos, conhecidos como “freak-offs”, que eram orgias promovidas pelo artista.
Outra ex-namorada, que depôs anonimamente, relatou ter sido pressionada a ter relações sexuais com homens, participando do que Combs chamava de “noites de hotel”, encontros sexuais regados a drogas que se estendiam de 2021 a 2024 e podiam durar dias.
O juiz afirmou que rejeitou a tentativa da defesa de caracterizar os eventos como meras experiências de sexo, drogas e rock’n’roll. “Você abusou do poder e controle que tinha sobre a vida de mulheres que dizia amar profundamente. Você as maltratou física, emocional e psicologicamente, utilizando esse abuso para satisfazer seus desejos, especialmente em relação aos freak-offs e noites de hotel”, declarou.