A ONG Zuzu For África teve suas atividades interrompidas devido à falta de regularização de sua documentação. Nos últimos dias, a maneira como influenciadoras brasileiras, envolvidas no projeto, expuseram crianças angolanas gerou intensos debates nas redes sociais.
O que ocorreu
O Governo Provincial do Bengo decidiu suspender as operações da Zuzu For África por não atender aos requisitos documentais exigidos. Em um comunicado, a ONG informou que havia solicitado a documentação necessária em 4 de julho e que o processo ainda está em andamento.
A organização enfatizou sua presença na comunidade há oito anos, durante os quais recebeu visitas de autoridades, elogios ao seu trabalho e até contribuições pontuais que fortaleceram sua missão.
A Zuzu For África se dedica a promover o bem-estar da comunidade em Angola. De acordo com as informações disponíveis no site do projeto, a ONG realiza atendimentos médicos e odontológicos, distribui gratuitamente kits de higiene, medicamentos, brinquedos, material escolar, roupas íntimas e oferece mais de 800 refeições diárias, além de atividades lúdicas e recreativas.
Controvérsias sobre a exposição de crianças
Influenciadoras brasileiras, como Mari Menezes e Nathalia Valente, estiveram ativamente envolvidas em missões no país. Nathalia, por exemplo, compartilhou vídeos de crianças em condições precárias experimentando biscoitos e chocolates pela primeira vez, além de dançando e promovendo sua marca de biquínis.
O ex-BBB João Luiz fez uma crítica à maneira como essas crianças foram expostas. Embora não tenha mencionado nomes, sua publicação rapidamente se espalhou pelas redes sociais, resultando em uma onda de ataques contra ele.
Em uma nova postagem, João propôs uma reflexão sobre a ética na divulgação de imagens de crianças em situação de vulnerabilidade. Ele afirmou: “Há inúmeras formas de retratar uma realidade sem mostrar o rosto das crianças. […] Existem alternativas mais éticas que priorizam o contexto social, ao invés da midiatização do sofrimento.”
Ele enfatizou que existem maneiras seguras para que as crianças participem de vídeos, sem que isso envolva situações como experimentar biscoitos recheados ou mostrar meninas comendo areia com sal. João Luiz Pedrosa também abordou o protagonismo excessivo dos influenciadores nas postagens, afirmando: “O [doador] acaba se tornando mais relevante do que aqueles que recebem. Essa narrativa de exposição em troca de ajuda coloca o doador como um herói. […] É possível mostrar o impacto sem expor indivíduos vulneráveis e sempre refletir sobre o uso do ‘eu’.”
Além disso, o ex-BBB sugeriu que as pessoas deveriam se informar mais sobre a história da África antes de embarcarem em missões: “Se o Brasil ainda enfrenta as consequências do período colonial, imagine como estão os países africanos que conquistaram sua independência de potências europeias há pouco tempo na história da geopolítica mundial.”
Após suas críticas, João foi alvo de ataques racistas, e ele compartilhou algumas das mensagens ofensivas que recebeu, sendo chamado de “lixo”, “macaco nojento” e “demônio”.