Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, afirmou que a plataforma não é contrária ao lançamento de filmes nos cinemas. Ele expressou sua expectativa de que as produções da Warner Bros. continuem a ser exibidas nas telonas após a finalização do acordo de aquisição do estúdio e da HBO Max, avaliado em US$ 82,7 bilhões (cerca de R$ 439 bilhões).
O executivo destacou que a Netflix também promoveu estreias cinematográficas neste ano, embora a maior parte delas tenha tido um tempo de exibição reduzido. “Não temos objeções à exibição de filmes nas salas de cinema. Minha principal preocupação está relacionada aos longos períodos de exclusividade, que acreditamos não serem vantajosos para o consumidor”, declarou à imprensa dos Estados Unidos.
Atualmente, os projetos destinados ao cinema pela Warner Bros. continuarão a ser exibidos conforme planejado, enquanto os filmes da Netflix seguirão o mesmo padrão, com algumas produções tendo uma breve passagem pelos cinemas antes de serem disponibilizadas para os assinantes. “Nosso foco principal é levar os lançamentos diretamente aos nossos assinantes, pois é isso que eles desejam”, afirmou Sarandos.
Ele também sugeriu que as janelas de lançamento poderiam evoluir ao longo do tempo para se tornarem mais benéficas para o público. “Acredito que, com o passar do tempo, essas janelas de lançamento se tornarão muito mais amigáveis aos consumidores”.
A Netflix tem lançado nos cinemas filmes que são indicados a prêmios, como “Jay Kelly”, de Noah Baumbach, “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, e “A Casa de Dinamite”, de Kathryn Bigelow. Além disso, a empresa adquiriu e reformou cinemas, incluindo o Paris, em Nova York, e o Egyptian, em Los Angeles.
De acordo com a Variety, os proprietários de cinemas estão céticos quanto ao acordo da Netflix. Em uma entrevista anterior, Sarandos sugeriu que os cinemas estavam se tornando “obsoletos”. “Se você tem a sorte de morar em Manhattan e pode caminhar até um complexo de cinemas para assistir a um filme, isso é maravilhoso. Contudo, a maioria das pessoas no país não tem essa possibilidade”, comentou à revista Time.
A Cinema United, a maior associação comercial do setor de exibição cinematográfica, expressou preocupações em relação à fusão. “A proposta de aquisição da Warner Bros. pela Netflix representa uma ameaça sem precedentes para o setor de exibição cinematográfica global. O efeito negativo dessa fusão afetará cinemas de todas as grandes redes, desde os maiores até as salas independentes em pequenas cidades nos EUA e no mundo todo”, declarou Michael O’Leary, presidente e CEO da Cinema United, em um comunicado após o anúncio.
O modelo de negócios da Netflix, conforme descrito, não favorece a exibição cinematográfica; na verdade, é o oposto. Os órgãos reguladores devem examinar cuidadosamente os detalhes dessa transação proposta e entender o impacto adverso que ela pode ter sobre os consumidores, a exibição e a indústria do entretenimento.