Breno Ferreira, de 27 anos, tem se destacado na cena artística: o ator participou de duas novelas de grande sucesso em 2025, “Beleza Fatal” (HBO Max) e “Vale Tudo” (Globo). Sua jornada no teatro começou na adolescência, e há uma década ele se mudou para o Rio de Janeiro para se reunir com seu irmão, Dan Ferreira, de 33 anos, focando nos estudos e na carreira artística. Antes de seguir essa trajetória, Breno sonhou em ser jogador de futebol e atuou como goleiro no CRB, em Maceió, mas percebeu que aquele não era o caminho que desejava para sua vida.
“Quando comecei a explorar o universo da arte e percebi que isso poderia se tornar uma realidade, foi um impulso. A partir daí, não consegui mais parar”, compartilha Breno em entrevista ao Splash.
Ele considera sua participação em “Vale Tudo”, sua estreia na Globo, um excelente começo. “Foi um trabalho que exigiu muita responsabilidade e dedicação, mas o carinho e o retorno que recebi foram incríveis. É impressionante fazer vinte cenas por dia. Nunca imaginei que seria assim, mas ao vivenciar, compreendi que é realmente ser um atleta das emoções”.
Trabalhar em uma produção aberta trouxe a Breno uma nova perspectiva sobre a interação com o público. “O que você faz é visto quase que imediatamente. Os processos de produção variam muito entre obras abertas e fechadas; no cinema, fazemos cerca de quatro páginas por dia, enquanto na novela, são de 20 a 30 cenas.”
Atualmente, Breno está ansioso pelo lançamento de “AYÔ”, uma série que estreou no Festival do Rio e será exibida no Festival Mix no dia 17. Na produção, dirigida por Lucas Oranmian, ele interpreta João, um fotógrafo gay de São Paulo que se envolve com o protagonista Ayô. “A história começa em um aplicativo de relacionamento e evolui, mas sou péssimo com spoilers; se eu me alongar, posso acabar contando demais”.
Ayô, o personagem que ele interpreta, está cansado de papéis estereotipados destinados a pessoas negras — uma questão com a qual Breno se identifica profundamente. “O mercado frequentemente nos coloca em categorias limitadas, que podem ser perigosas. No entanto, agora conseguimos vislumbrar algumas mudanças, mesmo que graduais. Por exemplo, é muito positivo ver um ator negro praticando hipismo em horários nobres. Isso é algo que eu não vi crescer, mas que as novas gerações terão a chance de testemunhar.”
Breno também se mostra aberto à possibilidade de interpretar um personagem escravizado, dependendo da profundidade da narrativa. “Eu adoraria fazer parte de algo como ’12 Anos de Escravidão’. O que me atrai é um personagem com desenvolvimento consistente. Isso é o que realmente importa; não se trata de estereótipos.”
Ele acredita que a transformação nesse cenário depende da presença de mais profissionais negros em posições de destaque. “Precisamos estar em lugares de poder, com a caneta na mão. Quanto mais pessoas como nós ocuparem esses espaços, melhores serão as condições de trabalho e o respeito que receberemos, resultando em uma igualdade real.”
Fashion e amor
Desde a infância, Breno é apaixonado por moda, um interesse que nasceu naturalmente em meio à loja de roupas de sua mãe. “Eu costumava pegar roupas, costurar e modificar, tentando criar algo que refletisse minha visão. Muitas vezes eu conseguia, mas outras vezes a frustração era parte do processo.”
Junto com Clara Moneke, ele forma um dos casais mais estilosos da atualidade, trocando opiniões sobre looks diariamente. “Essa é a beleza da moda. Todos os dias, ela sai deslumbrante para o trabalho. Hoje, ela me perguntou: ‘Amor, estou bonita? Devo usar isso?’. Eu respondi: ‘Você está perfeita. O que escolher será só um complemento, pois já está maravilhosa'”.
“Brincamos muito com isso, trocando referências. É como uma conversa sobre futebol; estamos sempre debatendo sobre moda”.