Aviso: a matéria a seguir contém relatos sensíveis sobre agressão e pode ativar gatilhos relacionados a estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Se você é uma vítima ou conhece alguém que esteja enfrentando essa situação, busque ajuda e faça uma denúncia. Ligue para o 180.
Na última terça-feira (21/10), Cíntia Chagas participou do Globo News Debate ao lado da ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB), onde abordaram temas como feminismo e a violência doméstica que Chagas enfrentou, perpetrada pelo seu ex-marido, o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP). Durante a conversa, a educadora refletiu sobre suas críticas direcionadas a feministas, revelando que essas opiniões estavam enraizadas na frustração de sua própria vida conjugal.
Chagas compartilhou que, após a divulgação de partes de um boletim de ocorrência sobre as agressões que sofreu, fez um desabafo em suas redes sociais atacando feministas: “Desferi críticas contundentes contra as feministas e expressei sentimentos que não gostaria de reiterar aqui. Compreendo agora que, assim como uma criança que pratica bullying, eu também estava expressando a dor de uma violência que vivenciei em casa. Hoje, olho para aquele momento com mais maturidade e percebo que a raiva que sentia delas era, na verdade, um reflexo do que vivia no meu casamento”, declarou.
A influenciadora comentou que, devido à sua visão conservadora, muitas vezes se recusava a reconhecer sua própria vivência de agressão: “Eu estava em um processo de negação. Quando essas mulheres falavam sobre o tema, algo que minha mãe e meus amigos desconheciam, eu tentava manter uma imagem positiva do meu casamento para convencer a mim mesma de que tudo estava bem. Afinal, o que uma mulher conservadora deseja? Ela anseia por um lar feliz e um casamento bem-sucedido”, desabafou.
Manuela, ex-política de um partido de esquerda, elogiou a coragem de Cíntia em revelar sua história: “A bravura de Cíntia representa um dos aspectos mais significativos no debate sobre violência doméstica no Brasil no último ano. Sua experiência ajuda a iluminar uma questão que nós, mulheres públicas, temos nos esforçado para esclarecer e fazer as pessoas entenderem”.