Uma simples imagem de Fernanda Torres, compartilhada nas redes sociais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, se tornou um marco para o Oscar. A afirmação é de Bill Kramer, CEO da entidade responsável pela mais prestigiada premiação do cinema global, durante sua visita ao Rio de Janeiro para o Festival do Rio na última sexta-feira (3/10).
“Em novembro, realizamos a cerimônia do Governors Awards, onde foram entregues os Oscars honorários. Fernanda esteve presente e postamos uma foto dela, que causou uma verdadeira explosão nas redes. Desde então, nossa dinâmica nunca mais foi a mesma. O engajamento foi imenso, com uma onda de amor, apoio e comentários em português. Ficamos extremamente contentes, pois isso é o que buscamos como organização”, revelou Kramer em entrevista ao portal O Globo, relembrando o impacto da postagem feita em novembro de 2024.
A foto da atriz de “Ainda Estou Aqui”, que já se destacava como uma possível candidata ao prêmio, alcançou milhões de curtidas, tornando-se um fenômeno digital. O nível de envolvimento foi tão alto que superou o de redes sociais de eventos grandiosos como o Super Bowl e o Grammy. “Foi um momento histórico. A empolgação em torno de ‘Ainda Estou Aqui’, o crescimento das nossas redes sociais e o aumento de audiência da cerimônia na América Latina foram extremamente animadores. Foi incrível ver vídeos de pessoas interrompendo o carnaval para assistir à premiação nas ruas do Brasil”, relatou o executivo.
Esse entusiasmo resultou em conquistas palpáveis. “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, fez história ao ganhar o primeiro Oscar na categoria “Melhor Filme Internacional” para o Brasil e levou Fernanda Torres à disputa por “Melhor Atriz”. “Esse movimento certamente fez com que os votantes prestassem mais atenção ao filme e à sua atuação”, reconheceu Kramer.
A vitória do longa brasileiro marcou uma virada significativa. Para o CEO, o sucesso reflete o amadurecimento da relação entre a Academia e as produções fora dos Estados Unidos. “Walter Salles é um diretor excepcional que tem contribuído com grandes filmes há anos. Ele é um amigo da Academia. […] Ele receberá um prêmio em reconhecimento à sua notável contribuição para o cinema global”, afirmou Kramer, anunciando que o diretor será homenageado no próximo dia 18 de outubro com o Luminary Award durante a quarta edição da Academy Museum Gala, em Los Angeles.
Desde a consagração de “Parasita” em 2020, a Academia tem promovido mudanças para aumentar a diversidade entre seus membros e premiar narrativas de diferentes culturas. Atualmente, cerca de 20% dos mais de 11 mil votantes residem fora dos Estados Unidos, incluindo 200 membros da América Latina, sendo 60 brasileiros.
A visita de Kramer ao Brasil incluiu encontros com artistas e produtores locais. Em um jantar oferecido pela Globo, ele compartilhou a mesa com personalidades como Regina Casé, Dira Paes, Rodrigo Santoro, Leandra Leal e Walter Carvalho, além da atriz francesa Juliette Binoche. Em um tom descontraído, o CEO celebrou o fortalecimento dos laços entre o Brasil e a Academia. “Fernanda é uma atriz excepcional e uma pessoa adorável. Tive o prazer de sentar com ela no último Oscar, foi uma noite incrível”, elogiou.
A próxima cerimônia está agendada para 15 de março de 2026, com o retorno do apresentador Conan O’Brien. Kramer espera que a audiência continue em ascensão após o recorde negativo de 2021, durante o auge da pandemia.
Sobre as novas produções brasileiras, ele evita comentar favoritismos, mas expressa entusiasmo por “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, escolhido para representar o país.




